quarta-feira, 9 de março de 2011

Caquis e cacófatos


É chegada a curta temporada dos caquis, uma das minhas frutas favoritas. Coincidentemente, eles também pululam na imprensa, mas não na sua forma vermelha, carnuda, arredondada e saborosa.

Nos últimos dias, tem havido uma fartura de fulano "nunca quis" isso, sicrano "nunca quis" aquilo... No Segundo Caderno da terça-feira de carnaval, por exemplo, há uma fala de James Franco: "(...) nunca quis me bastar na exuberância tecnológica dos efeitos especiais dos filmes em que atuo."

É óbvio que quem cometeu o cacófato não foi o ator, que certamente deu a entrevista em inglês. Mais óbvio ainda é que anda fazendo falta a cadeira de Radiojornalismo no currículo dos coleguinhas.

Nas aulas de antanho, aprendíamos coisas como usar "jamais quis" e nunca dizer "a vez passada". Se ouvia a expressão, o professor logo perguntava se não preferíamos mosca frita.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Da série 'Não está errado, mas...'

Coluna do Ancelmo, ontem e hoje: duas notinhas ilustram como, com um pouquinho de atenção, o texto pode melhorar (e não confundir). Dado o desconto do carnaval, vamos a elas.


Nesta aí acima, intitulada "Mama África", vejam se não ficaria melhor dizer; "(...) Mbasogo, 69 anos, há 31 presidente de Guiné (...)"


Esta outra, nas mãos do leitor desatento destes dias de folia, vira coisa que deixaria o velho político ainda mais irado. Custava ter posto mais uma palavrinha para explicar que o que chateava Brizola era a versão de que ele havia fugido "vestido" de mulher? Faz toda a diferença... Ou não faz?

Filmes B

Produções menores voltam a ganhar espaço

O samba do tradutor doido.
Ou: de como a vaca desnaturada
foi pro brejo e acabou no quartel


Para os fãs dos desvarios diários da nossa TV, uma amiga colheu pérolas numa área de cultivo suspeitíssima. Ou terá ela ordenhado as tais pérolas de uma vaca louca?!?

A situação surreal deu-se num episódio de "Law & Order Los Angeles", em que bandidos dos EUA — um pessoal cheio de novidades, como se sabe — compraram quantidades industriais de um produto retirado do leite desnatado ("skimmed milk").

Muito mais imaginativa, a tradutora criou um "leite desnaturado" — "um leite mau, sem vocação materna", segundo a minha atenta e preocupada amiga.

Mas a série do Universal Channel não parou por aí. Como os bandidos pretendiam explodir o aeroporto de LA, não foram levados para uma prisão comum, mas para uma "military plantation", ou seja, uma instalação das forças armadas.

Eis, porém, que a tradutora criativa jogou os terroristas numa "plantação militar"! O promotor reclamou na corte, mas não houve jeito: a "plantação militar" continuou lá — e eu fiquei aqui dando tratos à bola, já vendo os bandidos sob a mira de soldados num terreno enorme, com pás e enxadas nas mãos, e tendo mil ideias a respeito do que seria cultivado ali.

Para quem trabalhou numa enciclopédia em que um dito tradutor de espanhol, no verbete de Cuba, saiu-se com uma "plantação de charutos", a imaginação vai longe...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Atropele, mas direitinho...


André Marques, apresentador do "Vídeo show", estreava hoje um quadro do programa em que ele atropelava Bruno de Luca, para depois mostrar o trabalho dos dublês em cenas perigosas.

Ao volante do carro, porém, o simpático ator acabou atropelando o Português, quando alertou o colega com um duplo "eu vou vim, eu vou vim".

Atenção, galera! Como na linguagem coloquial ninguém costuma falar "eu virei", anote no caderninho: use o infinitivo e diga "eu vou VIR". É uma boa forma de evitar riscos ao transitar pelo idioma.