sábado, 10 de fevereiro de 2018

Difícil de entender

Leia na foto o recorte do Globo.

Como o atento amigo e eu, você entenderá que o sujeito da enrolada frase está tentando evitar que o ex-presidente seja preso.

A matéria, no entanto, diz exatamente o contrário.

"ENTENDIMENTO" está no subtítulo, com um festival de repeteco. Se o editor tivesse prestado atenção à palavra, talvez tivéssemos um título claro, objetivo, direto.

Foi-se o tempo em que, com uma vista d'olhos nas manchetes do jornais, o leitor podia ter noção do que se noticiava.

Assim a raiva aflora


Foi na editoria Rio do Globo que a assídua colaboradora encontrou o título mal escrito:

"Crise aflora a criatividade".


Lágrimas quase ME AFLORAM aos olhos mesmo quando o tema "descuido com o idioma" apenas AFLORA numa conversa.

Nadadores AFLORAM À superfície; jornalistas despreparados BROTAM nas redações. Uma lástima!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Mau gosto começa no pedantismo

A página de chamada na versão online do Globo é a pior "cantada" do mundo!

Como querem atrair o leitor com essa coisa, que já abre com uma expressão popular — "PRA começo de conversa" — grafada de forma pedante, como se estivéssemos no século retrasado?

Bem que o jeitão empolado me fez dar boa risada com a "inteligência" da polícia, porque essa história de chamar assim "serviço de informação" não cai muito bem na nossa língua, não é? O fato de a expressão estar dicionarizada não redime o editor.

A mesma pedantice encontra-se mais abaixo, em "colocar" um filtro, porque o jornal tem pavor dos verbos PÔR e BOTAR.

Obviamente, não podia faltar o desnecessário "após".

Que tal aprender a escrever sem o penduricalho imbecil, crianças?

Não é tão difícil fazer uma frase direta, sem muleta. Vejam um exemplo:

"Especialistas ajudam pais a evitar ciladas da internet como o 'desafio do desodorante', que matou menina de 7 anos". (daí pra frente, é pura apelação mórbida, um "contraponto" para o elitismo de fachada.)

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Se está parada, como é que segue?

Falei na língua espanhola e o amigo que, como eu e outros, não aguenta mais o espanholismo "seguir" usado como "continuar" me enviou o título da materinha mal traduzida do El País

Pra ficar ainda "melhor", não podia faltar um "após", não é mesmo?

Vejam só a "tontería".

Censurar pra quê?

Ainda bem que os meus ouvidos estão se acostumando rapidamente ao Espanhol outra vez.

Quando a gente entende uma língua, legenda dá nervoso.

E nem sempre é por causa dos erros que os profissionais da área cometem no nosso idioma, mas porque o distorcem na maior cara de pau.

Encontrei exemplo disso em "El Ministerio del Tiempo", série exibida na Netflix.

A maior parte do segundo episódio é ambientada no porto de Lisboa, onde o escritor Lope de Vega ouve alguns palavrões de uma taberneira portuguesa com certeza (e por bons motivos).

Pois quem "traduziu" o Português de lá pro Português de cá censurou o texto!

Até "paneleiro", que a gente sabe bem o que significa na terrinha, quase vira "cavalheiro". Dá pra acreditar?

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Não há nada sobre o rádio

Na nota anterior, falei de bobagens de jornais e TV e deixei de fora o rádio, mídia que chega aos quatro cantos do país.

Dia desses, o atento amigo ouviu, na Band News FM, a seguinte chamada:

"(...) a professora vai explicar sobre (...)".

Espero que a mestra tenha dado uma aulinha pros colegas da emissora.

Eles precisam aprender que ninguém explica nada "sobre" coisa alguma.

É como a recém-citada besteira do Facebook, que insiste em dizer que as pessoas "comentam sobre" as postagens alheias.

Só se a gente escrevesse EM CIMA do texto original, não é?

Uma tribo na fronteira do delírio

Preparem-se para ler e ouvir muitos absurdos no carnaval.

Passei algumas horas sem luz, devido a uma obra no prédio.

Mal ela voltou, encontrei um festival de besteira à minha espera no Facebook.

Em nota sobre o Rei Momo, no Ancelmo, a assídua colaboradora achou um "fazer mal uso do direito" (sic) de doer a vista. Recomenda-se não fazer MAU USO do idioma no jornal.

Um amigo reclama da praga do SEGUIR usado como CONTINUAR:

"A via segue interrompida", "o trânsito segue parado"... 

Caramba! Ninguém percebe que há uma ideia de movimento embutida no verbo?

O outro amigo ouviu, de um repórter da Globo, a seguinte explicação de parte do enredo de uma escola:

"(...) tribo que fica na fronteira do Marrocos com a Índia".

Já é estranho uma tribo FICAR numa fronteira, como se fosse uma cidade.

O mais intrigante, porém, é tentar descobrir onde o país africano se encontra com o asiático.

A gente sabe que alguns carnavalescos deliram, mas os colegas jornalistas não ficam atrás.