quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Deixe a muleta na porta do jornal

É uma vergonha abrir O Globo e ver a quantidade de gente que morre APÓS intoxicação, APÓS acidente e, em especial, APÓS levar tiros.

Hoje, segundo o atento amigo, está um festival.

Nós ficamos indignados. E as muitas pessoas que morrem ANTES de levar tiros devem ficar injuriadas, não é mesmo?

Outra mania indesculpável do jornal é o tal do "estava NO INTERIOR do edifício (ou da sala)", como pulula nas páginas desde o triste incêndio no Museu Nacional.

O amigo não aguenta mais ler que "os móveis estavam no interior do prédio" etc. etc.

Os colegas acham que havia móveis NO EXTERIOR da Quinta? Ou múmias NO EXTERIOR dos sarcófagos? Que coisa!

Por que insistem nas abobrinhas despropositadas e infantiloides?

Queremos ler texto de gente grande, pessoal.

PS: acabei de saber por um amigo que, ontem, o jornal "informou" que a Beatriz Segall morreu "após pneumonia". A atriz não merecia uma coisa dessas. Queridos editores, era o caso, então, de acrescentar que ela morreu após envelhecer, não é, não? Eu, hein?!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Tá difícil de engolir

Não basta aturar a indigência governamental, tem que ler jornal.

Tem que ler — mas não engolir — as infantilidades perpetradas pelos colegas, como essas aí, enviadas pela assídua colaboradora e pelo colaborador eventual.

Se alguém sobrevive, só pode ser A ALGUMA COISA braba, não é?

Então, pra que o penduricalho? Tá na cara que é "após"!

E o meteorito, caros infantes, é como a nave do Super-Homem: atinge temperaturas muito mais elevadas que a do incêndio no Museu Histórico, até chegar ao nosso solo. 

É como se ele fosse de Krypton, entenderam?

Se ainda tiverem alguma dúvida, perguntem ao Museu do Louvre.

Entre um lamento e outro, ele certamente poderá esclarecer tudo pra vocês.

Atores, tem novidade na praça

Recebi cedo o e-mail do atento amigo, com o "textículo" da foto.

Ainda em estado de choque, busco na memória os métodos de interpretação que conheço, como o do Brecht e o do Stanislavski.

Pois agora temos outro, o Método do Ancelmo, em que os atores "contracenam DIRETAMENTE um com o outro" (!?).

Há um jeito de contracenar INDIRETAMENTE?

Gostaria muito que os amigos ligados às artes cênicas me ajudassem a entender como isso funciona.

domingo, 2 de setembro de 2018

De colapso em colapso, a morte

Tristíssima com o destino do Museu Nacional, fico ainda mais amuada ao saber que quem lê ou ouve a notícia é bombardeado com o besteirol que assola a minha profissão.

Na internet, o incêndio apenas "atinge" o edifício — que é lambido pelas chamas nos vídeos.

Na TV, como me contaram, as paredes "colapsam" aqui, nosso patrimônio "colapsa" ali...

E eu vou ter um colapso se alguém não contar pros locutores (e editores) que prédios CAEM, paredes DESABAM e há um monte de verbos que podem ser usados numa tragédia assim.

Esqueçam o "collapsed", que veio de NY com o "nine eleven", "please"!

Só mesmo o atento amigo pra me fazer sorrir um pouquinho, com essa pérola pescada no Jardim de Infância Globo Online:

"'Orgulho': Camilo SE PASSA DE padre para a confissão de Julieta". (sic, com destaque meu.)

Acho que tem gente se passando POR jornalista sem ter estudado Português.

Clara agradece. Nós, também

Nas novas colaborações da assídua colaboradora, constatamos duas tristes tendências dos profissionais das Letras:

1) traduzir mal o Inglês e, com isso, inventar palavras para as quais já temos ótimos correspondentes em Português;

2) não se preocupar em pesquisar sequer a grafia de nomes de gente famosa.

Em relação ao primeiro caso de desleixo absoluto, que tal esquecer "the application" e usar a boa e velha "INSCRIÇÃO"?

Ou ainda não é possível SE INSCREVER na SP-Arte?

Em relação ao segundo, a grande compositora e pianista Clara Schumann, cujo bicentenário será celebrado no ano que vem, agradece se consertarem seu sobrenome no Globo online. No impresso, já era.

Teve um arrebatamento e...

Caros amigos, não caiam na esparrela do Globo, ou de uns e outros que usam a bobagem na internet — vi um artigo inteiro com a grafia errada repetida à exaustão e a assídua colaboradora encontrou a bendita "arrouba" (ui!) várias vezes em uma série de matérias sobre o Vale do Café.

ARROBA — seja como medida de peso, seja como sinal tipográfico usado em e-mails — NÃO TEM a letra "U".

Se algum colega teve um "arroubo" — ou um "arroubamento" — e pirou durante o êxtase, o problema é dele, não do leitor, que não merece aprender besteira em sua leitura dominical, acreditando que o jornal é obra de gente letrada.

Sim, o verbo "arroubar" existe e significa "assombrar-se", "extasiar-se", OK?

PS: a pedra de uma arroba, vista aí na imagem, hoje é peça de museu e está no Mosteiro de Santa Clara-a-nova, em Portugal.

sábado, 1 de setembro de 2018

Ele é 'o cara'! Pobrezinho


O desaparecimento do webdesigner que "possui um enteado" (sic), continua rendendo atrocidades no Globo.

A assídua colaboradora descobriu que ele tinha o hábito de "pisar nas amigas". Pois é.

Leiam a frase e vejam se não é isso que diz o jornal:

"(...) foi visto caminhando por uma amiga (...)".

Se usassem a ordem direta, não provocariam confusão.

Que tal "foi visto por uma amiga na pista etc. etc.", às tantas horas?

Faz falta uma preposição antes do horário, assim como na frase "o último dia que foi à academia" ("EM QUE foi", por favor).

Pra fechar: chamar o desaparecido de "O homem" é muito, muito estranho; "cumprimentar", aí, é transitivo direto ("cumprimentava todos"); e dizer que ele "realizou uma cirurgia" pode levar o leitor a achar que o designer também é médico.

Pensando bem, vai ver é por isso que ele merece o epíteto: "O homem".