Alô, pessoal da Netflix Brasil.
Assisti ao primeiro episódio da segunda temporada de "Trapped" ("Ófærð") e a trama começou muito bem, obrigada.
Só tem um problema: não sei se a Hinrika disse pro Andri "Þú ert hjá okkur" ou "Þú verður hjá okkur", quando afirmou que ele não ia para um hotel — afinal, não entendo nada de Islandês —, mas já fiquei desconfiada da qualidade das legendas ao ler a tradução "você vai ficar com nós" (sic).
Em Português, eu garanto: o certo é "você vai ficar CONOSCO".
Um pouco das besteiras lidas e ouvidas aqui e acolá.
E um pouco das coisas boas também, que ninguém é de ferro.
(infelizmente, estas estão cada vez mais raras...)
sábado, 13 de julho de 2019
Cabe aos chefes advertir
A Folha, O Globo etc. escorregam diariamente — e a assídua colaboradora me envia as bobagens em que vai tropeçando leitura afora.
Ontem, a novela Avenida Niemeyer rendeu esse "primor de concordância":
"A Secretaria (...) afirmou que cabem aos condôminos tomar medidas (...)".
Já que não há mais revisores na redação e, pelo visto, os corretores eletrônicos não funcionam, CABE AOS EDITORES CORRIGIR OS ERROS e evitar que sejam publicados no jornal.
CABE aos editores, também, redigir títulos sem regências estapafúrdias, como essa "lindeza" destacada na imagem.
Onde foi que vocês aprenderam essa história de "advertir a alguma coisa ou a alguém", colegas?
Eu já os adverti disso: cabe aos chefes estudar e consultar bons dicionários.
Ontem, a novela Avenida Niemeyer rendeu esse "primor de concordância":
"A Secretaria (...) afirmou que cabem aos condôminos tomar medidas (...)".
Já que não há mais revisores na redação e, pelo visto, os corretores eletrônicos não funcionam, CABE AOS EDITORES CORRIGIR OS ERROS e evitar que sejam publicados no jornal.
CABE aos editores, também, redigir títulos sem regências estapafúrdias, como essa "lindeza" destacada na imagem.
Onde foi que vocês aprenderam essa história de "advertir a alguma coisa ou a alguém", colegas?
Eu já os adverti disso: cabe aos chefes estudar e consultar bons dicionários.
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Revelação: o jornalismo acabou
Há poucas horas, fiz postagem a respeito das más escolhas de palavras.
É típico da não notícia, aprimorada na Escola Caras de (anti)Jornalismo, usar verbos bombásticos pra dizer coisa alguma.
Como na chamada da IstoÉ Gente que está na home do MSN em destaque:
"(A atriz Fulana) revela possíveis nomes da filha".
"Possíveis nomes"?!? Revelação?!?
Caramba!
Quando eu era jovem, muito antes de me imaginar numa redação, fazer uma REVELAÇÃO tinha peso — ainda que se tratasse do Clark Kent REVELANDO pra Lois Lane que era o Super-Homem.
Também tínhamos REVELAÇÕES incriminatórias, REVELAÇÕES bíblicas...
Listinha de nomes pra bebê que vai nascer em sei lá quantos meses virar "notícia" já é o suprassumo da falta de assunto. Virar REVELAÇÃO é galhofa com a minha agonizante profissão.
É típico da não notícia, aprimorada na Escola Caras de (anti)Jornalismo, usar verbos bombásticos pra dizer coisa alguma.
Como na chamada da IstoÉ Gente que está na home do MSN em destaque:
"(A atriz Fulana) revela possíveis nomes da filha".
"Possíveis nomes"?!? Revelação?!?
Caramba!
Quando eu era jovem, muito antes de me imaginar numa redação, fazer uma REVELAÇÃO tinha peso — ainda que se tratasse do Clark Kent REVELANDO pra Lois Lane que era o Super-Homem.
Também tínhamos REVELAÇÕES incriminatórias, REVELAÇÕES bíblicas...
Listinha de nomes pra bebê que vai nascer em sei lá quantos meses virar "notícia" já é o suprassumo da falta de assunto. Virar REVELAÇÃO é galhofa com a minha agonizante profissão.
Para evitar novos rombos
O estouro de mais uma barragem fez ressurgir o festival de bobagens habitual.
Os colegas simplesmente reproduzem o linguajar empolado das autoridades locais e o jargão das equipes de salvamento, ainda metem no texto umas regências estapafúrdias — como "alertar sobre" — e o estrago no Português está feito.
Fiz um quadrinho pra tentar ajudar a pobre vítima (o idioma pátrio) e aproveito pra perguntar: por que a repetição exaustiva de "se romper" (em tempos verbais variados) e "rompimento"?
Não cabe mais nada nesse tipo de acidente?
Os colegas simplesmente reproduzem o linguajar empolado das autoridades locais e o jargão das equipes de salvamento, ainda metem no texto umas regências estapafúrdias — como "alertar sobre" — e o estrago no Português está feito.
Fiz um quadrinho pra tentar ajudar a pobre vítima (o idioma pátrio) e aproveito pra perguntar: por que a repetição exaustiva de "se romper" (em tempos verbais variados) e "rompimento"?
Não cabe mais nada nesse tipo de acidente?
Debaixo de uma hipótese?!?
Durante muitos anos, tivemos uma avalanche de inapropriados "sobres" na imprensa.
O "epicentro" do desastre parecia ser aquele país que os brasileiros adoram copiar e em cuja língua "the book is on the table" (um "sobre" adequado).
Agora, assistimos a uma inundação de "sobs" que não substituiu a praga anterior — ao contrário, convive pacificamente com ela.
"A juíza proibiu o trânsito sob a hipótese de chuva" (sic)?!?
A Niemeyer ficou SOB escombros — e isso não é hipotético.
NA HIPÓTESE de chover forte nos próximos dias, há risco de novos deslizamentos?
NA HIPÓTESE de mais gente morrer soterrada, o que você espera desse prefeito? E da cobertura jornalística?
O "epicentro" do desastre parecia ser aquele país que os brasileiros adoram copiar e em cuja língua "the book is on the table" (um "sobre" adequado).
Agora, assistimos a uma inundação de "sobs" que não substituiu a praga anterior — ao contrário, convive pacificamente com ela.
"A juíza proibiu o trânsito sob a hipótese de chuva" (sic)?!?
A Niemeyer ficou SOB escombros — e isso não é hipotético.
NA HIPÓTESE de chover forte nos próximos dias, há risco de novos deslizamentos?
NA HIPÓTESE de mais gente morrer soterrada, o que você espera desse prefeito? E da cobertura jornalística?
terça-feira, 9 de julho de 2019
Beijos e desabafos de dar engulho
Miscelânea de bobagens de ontem e de hoje, do Globo, do Gshow e do MSN Notícias, encontradas pela assídua colaboradora, pela leitora especialista em Marketing e por mim.
Com essa mania de botar tudo "sob" ou "sobre" algo, os colegas meteram um partido inteiro EMBAIXO de uma pessoa.
Estará a dita cuja sentada em cima dos políticos ou eles são como escravos (talvez infantis) SOB o jugo dos senhores?
Por favor, DESABAFEM as mágoas, DESABAFEM-SE em gritos e soluços se quiserem, mas não desabafem nada "sobre" mim ou "sobre" ninguém.
Procurem outra regência e DESABAFEM as instituições dos corruptos, por exemplo.
Só então serei capaz de LHES DAR um abraço, DAR-LHES beijos, afagos, cumprimentos, o que for, combinado?
"A dá um beijo apaixonado" (sic) é de dar embrulho no estômago. Blargh!
Muito erro pra uma legenda só
A querida amiga me enviou novas bobagens do Globo (e bobagem é coisa que não tem faltado por lá, uma lástima).
Pra começar, procure na imagem a mãe beijando o bebê, como informa o "textículo".
O queixo dela roça a testa dele — e isso é beijo onde, podem me explicar?
Pra completar, a roupa da criança não é "túnica" nem aqui nem na China.
O modelito chama-se camisola de batismo. E a tradição de passar o traje de geração em geração, sem distinção de gênero, era muito comum até não muito tempo atrás — e não apenas entre nobres.
Pra começar, procure na imagem a mãe beijando o bebê, como informa o "textículo".
O queixo dela roça a testa dele — e isso é beijo onde, podem me explicar?
Pra completar, a roupa da criança não é "túnica" nem aqui nem na China.
O modelito chama-se camisola de batismo. E a tradição de passar o traje de geração em geração, sem distinção de gênero, era muito comum até não muito tempo atrás — e não apenas entre nobres.
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