domingo, 7 de abril de 2013

Um porre de pão

Gente, não resisto! Estava num aniversário, cercada de gente querida, quando um amigo dramaturgo, senhor ao mesmo tempo sério e muito doce, lembrou-se do meu blog e me contou uma que ouviu outro dia.
 
Chegou da rua, ligou a TV e viu a cena — dublada — de um filme ou seriado. Num iate, três rapazes levantam os copos e falam, em uníssono: Torrada!
 
Cansado, meu amigo custou um pouco a entender o nonsense do brindetoast, em inglês, como o pão tostado.   

Não dá pra deixar passar uma coisa dessas, pessoal! Será que ninguém se deu conta do absurdo da tradução? Ou já estavam todos tontos no estúdio por excesso de “torradas”?

sábado, 6 de abril de 2013

Alhos e bugalhos

Botei pra gravar no FX o seriado policial “Jo”, com Jean Reno, e, de quebra, veio “no pacote” um episódio de “Uma família da pesada”. Foi nas legendas deste que encontrei, de cara, coisas como “ela não está afim” e “zuada”.

Em primeiro lugar, acho que todos os canais pagos deviam oferecer som original e legendas, como o FX. Não vejo nada dublado, mas também não deixo de perceber os erros de Português (ou de tradução).

Na nossa língua, escreve-se “zoada”, com “o” — o verbo é “zoar”. E quando alguém está “a fim” de alguma coisa (ou com vontade de fazer algo), a expressão fica assim, separadinha. Escrito junto, “afim” vira adjetivo e significa “que tem afinidade, semelhança ou ligação”, OK?

Acordo foi de boa-fé?

Hoje, pelo visto, a gráfica do Globo estava com falta de hífen.

Falando sério, o novo (des)acordo ortográfico bagunçou a cabeça de quem escreve Português.

Por isso, não custa lembrar que, assim como os crimes “a sangue-frio” (vide nota abaixo), a “má-fé” continua sendo praticada com o tracinho de união — e não sem ele, como está em subtítulo da editoria País.

Mate direitinho, por favor

Como meu filho vive elogiando “The walking dead”, que eu não acompanho, quando encontro algum texto a respeito, procuro ler, para ver se me empolgo.
 
Hoje tem um na coluna Controle Remoto, do Globo, que não me animou, mas me fez lembrar que, apesar das múltiplas reformas sofridas pelo nosso idioma, uma coisa não mudou: há séculos, quando se mata alguém “a sangue-frio”, mata-se com hífen. Outras "armas" são opcionais.

PS: a expressão foi título de vários livros, mas custei a encontrar uma capa em que ela estivesse grafada corretamente, para ilustrar esta nota.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Antes do Inglês...

Acabo de ver o anúncio de uma marca de automóvel em que um trio promete dar força ao amigo que tem reunião com cliente estrangeiro, mas não sabe falar Inglês.
 

Antes, acho melhor ensinar Português ao grupo, que sela o "pacto" com a gíria (cheia de erros) "tâmu junto".

A mente e o cérebro

Peguei a página de Ciência do Globo e bateu uma estranheza. O título da matéria principal fala de “pesquisa da mente” e o subtítulo, de “funcionamento e dinâmica do órgão”.

Só que a “mente” não é um “órgão”. Trata-se de um “sistema organizado no ser humano referente ao conjunto de seus processos cognitivos e atividades psicológicas”, ou “parte incorpórea, inteligente ou sensível do ser humano; espírito, pensamento, entendimento” (vide Houaiss).

Algum tempo depois, vi lá no alto da página, acima da foto do Barack Obama, o antetítulo “A corrida do cérebro” — o que não melhorou nada, nem a tentativa de não repetir a palavra lá embaixo. Minha mente, aliás, voou longe, imaginando essa corrida maluca.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Aconteceu? Virou pretérito

Gente, "baixou” um historiador no “RJ-TV”! Explico: historiadores têm mania de se referir a fatos de antanho como se estivessem acontecendo no momento em que escrevem (ou falam).

Pois agorinha eu ouvi, na matéria daquele caso escabroso da criança assassinada por uma manicure, que esta “quebra” os lápis do menino, “faz” mais isso e “faz” mais aquilo.

Não, pessoal do “RJ”. Infelizmente, ela já “fez” essas e outras coisas piores. O crime “aconteceu”, no passado (ou pretérito perfeito), não está acontecendo enquanto o programa vai ao ar.

Aliás, cada vez tenho visto menos esse noticiário, que está virando uma coisa meio assim, como direi?, muito bate-papo pro meu gosto — o estilo, porém, é diferente daquele usado no “Hoje” na seção de meteorologia, que parece conversa de comadre.