quinta-feira, 9 de março de 2017

Por que não se calam?

Num dia em que nossas autoridades deram um banho de imbecilidade em seus discursos, o atento amigo encontrou a seguinte frase do ministro da Previdência reproduzida sem "copy" no Globo:

"Não dá para não pensar em não ter idade mínima de 65 anos". (sic)

Com três negativas seguidas, é pra dar nó na cabeça de qualquer um.

Se eu fosse a Madame Natasha do Gaspari, dava uma bolsa de estudos já!

terça-feira, 7 de março de 2017

Geração de bobagens


Não sou só eu que não aguenta mais a praga do "após" nos jornais.

Veja essa coisa aí da imagem, extraída da Folha online.

Foi enviada por uma querida amiga, também jornalista, que reclamou:

"Estou indignada com o uso abusivo, abusado e errado do advérbio de tempo 'após', popular como o 'onde' na utilização vulgar e imprópria.
'Filho gerado após barriga de aluguel' quer dizer o quê? A criança foi gerada em outra barriga depois que uma locadora não recebeu o embrião?
'Nasceram após processo de barriga de aluguel?' Como assim?"

Ela completa — e eu endosso:

"Que falta fazem redatores, revisores, editores e alguém que saiba escrever Português, poxa vida!"

segunda-feira, 6 de março de 2017

Peça as coisas direitinho

O atento amigo está impressionado com a escalada da errônea regência "pedir para que" isso ou aquilo.

Hoje, ela já estava destacada em legenda:

"(...) Guido Mantega pediu a Marcelo Odebrecht para que partidos (...)".

O amigo teme que, com as constantes demissões dos colegas veteranos e a ascensão dos textos tatibitate, essa construção ridícula vá parar na capa do Globo.

Em tempo: pede-se o valor X por alguma coisa, pede-se algo a alguém... e chega, OK? Mais exemplos podem ser encontrados em qualquer dicionário.

domingo, 5 de março de 2017

Revistinha recheada

Na mesma matéria em que encontrei a crase errada ("à uma imprensa", ui!), a amiga revisora viu o "nem tão pouco" aí da imagem.

Para quem ainda não sabe, faz tempo que se usa o advérbio com a contração "tampouco".

E "nem tampouco" é um tremendo pleonasmo: use "Tampouco algo" ou "Nem algo". E basta.

Pra não "perder a viagem", informo também que o (des)acordo ortográfico não se meteu com a "meia-idade": ela continua com hífen, OK?

Ignorância, preguiça ou machismo?

O que é essa criação do Ancelmo, "um doidivano", na nota "A conta é nossa"?

Colegas, ou o cara é um doidivanas ou um doidivana, OK?

Com "o" no fim não há no idioma pátrio.

Custa consultar um dicionário?

'Macacos' e 'botos' deslocados


A revista dominical do Globo passou um longo período dedicada aos jabás, mas finalmente voltou a publicar algumas matérias.

Só que, talvez pela falta de hábito de lidar com eles, descuida do copidesque nos textos.

Depois de ver uma horrorosa crase errada em "à uma imprensa" — que caberia perfeitamente em "à uma (hora) da tarde" —, pulei para a entrevista com o ilustrador franco-brasileiro Jean-Claude Alphen (autor do desenho aqui reproduzido, feito para o livro "Macacada").

Num único parágrafo, vejam o que encontrei:

"Estou a dois anos e meio só com livros autorais. Eu que decido de boto mais desenhos (...)".

Está na cara que o "de boto" foi erro de digitação — o correto era "SE boto".

Mas a preposição "A" no lugar do verbo HAVER — HÁ dois anos... — é imperdoável.

Truquezinho simples: se for passado, use o verbo (há séculos...); se for futuro, use a preposição (daqui a pouco...).

PS: não custava também, no parágrafo seguinte, flexionar o feiíssimo "ajudar ela". "Quero ajudá-la" soa muito melhor, não é?

sábado, 4 de março de 2017

E a Lei Áurea?

Queridos colegas, todo cuidado é pouco na hora de escolher os verbos para construir suas frases.

Nem sempre o que parece sinônimo se aplica a qualquer caso.

Um exemplo é o tal do "colocar", que não substitui adequadamente o "pôr" e o "botar" em muitas situações — que o digam as galinhas, que jamais "colocaram" ovos.

Outro é o "possuir", que significa muito mais do que apenas "ter".

Vejam aí a coisa feia que o atento amigo encontrou no Globo de ontem.

Coberto de razão, ele pergunta:

"Voltamos aos tempos da escravidão?"

Pois é. Essa história de ser "dono do trabalhador" não acabou em 1888?