Não se pode passar um fim de semana sem entrar na internet, ligar a TV etc. que não só a gente descobre que o mundo descobriu o que gente atenta já sabia e os erros da imprensa, enviados por amigos diversos, se acumulam.
Todo mundo já deve ter lido o absurdo do "Fulana também se contradizeu".
Vejam o verbo DIZER aí na imagem. Procurem um "dizeu".
Se alguém encontrar, eu juro que não vou contradizer o Houaiss.
Muita gente mandou pra mim o erro do crasso do Globo, no qual a assídua colaboradora achou ontem um igualmente brabo "eu vi como a fez bem chamar pelo nome (...)".
Crianças, eu vi como LHE FEZ bem, ou eu vi como FEZ BEM A ELA, tá?
E não copiem o Facebook, que inventou mais uma: "Fulano publicou a publicação de Beltrano".
Vai entender de Português assim na Argentina. Esconjuro!
Um pouco das besteiras lidas e ouvidas aqui e acolá.
E um pouco das coisas boas também, que ninguém é de ferro.
(infelizmente, estas estão cada vez mais raras...)
segunda-feira, 10 de junho de 2019
sábado, 8 de junho de 2019
Como marcar um encontro
A assídua colaboradora estranhou a frase que abre nota do Ancelmo Sempre Ele Gois:
"No domingo, às 16h30, está marcado um abraço simbólico (...)".
"Está marcado no domingo?"
De fato, a construção ficou muito, muito estranha.
"Encontro marcado" é o que não falta na literatura (a começar pelo livro do Fernando Sabino), em título de filme, de programa de TV...
Mas o mesmo compromisso que está marcado NA AGENDA costuma ser marcado PARA O DIA tal. Vai dizer que não soa melhor e faz mais sentido?
Agora, com licença, porque eu tenho um encontro marcado com Morfeu.
"No domingo, às 16h30, está marcado um abraço simbólico (...)".
"Está marcado no domingo?"
De fato, a construção ficou muito, muito estranha.
"Encontro marcado" é o que não falta na literatura (a começar pelo livro do Fernando Sabino), em título de filme, de programa de TV...
Mas o mesmo compromisso que está marcado NA AGENDA costuma ser marcado PARA O DIA tal. Vai dizer que não soa melhor e faz mais sentido?
Agora, com licença, porque eu tenho um encontro marcado com Morfeu.
sexta-feira, 7 de junho de 2019
O Rio de Janeiro acabou mesmo
Eu sei que a situação do Rio é pra lá de péssima, mas não imaginava que estávamos tão a perigo, com apenas UMA delegacia funcionando.
Gente, o prefeito mandou fechar tudo? Demitiu todo mundo?
Se não foi isso, como se explica a manchete da ESPN, que diz que aquele garoto chato foi depor NA delegacia da cidade?
A crase indica exatamente isso.
Se a pessoa VAI A UMA delegacia, o leitor fica sabendo que há várias.
Se vai À DELEGACIA do LOCAL, é porque não há outras.
Gente, o prefeito mandou fechar tudo? Demitiu todo mundo?
Se não foi isso, como se explica a manchete da ESPN, que diz que aquele garoto chato foi depor NA delegacia da cidade?
A crase indica exatamente isso.
Se a pessoa VAI A UMA delegacia, o leitor fica sabendo que há várias.
Se vai À DELEGACIA do LOCAL, é porque não há outras.
quarta-feira, 5 de junho de 2019
Será que é pedir muito?
Em nome da assídua colaboradora, do atento amigo e de todos os amantes do idioma pátrio, peço aos jovens e velhos jornalistas que estão nas redações que façam textos e títulos decentes. (Repararam que eu PEDI QUE, não pedi "para que" nada a ninguém?)
O descuido com as regências tem sido comentado aqui quase diariamente. (Repararam que eu COMENTEI O DESCUIDO e não comentei "sobre" este tema ou outro qualquer?)
A cada edição surge uma novidade, como um horroroso "opinou pelo", que está no Globo de hoje. A gente LUTA PELA Educação e OPINA A FAVOR dela.
Os colegas estão escrevendo vergonhosamente MAL — e eu vou bater três vezes na madeira para afastar da imprensa o MAU OLHADO e o MAU PORTUGUÊS.
O primarismo é tanto que já estão confundindo "espólio" (ou herança) com "HERDEIROS" (ou legatários).
Bens não planejam coisa alguma, seja ela BOA ou MÁ, entenderam?
terça-feira, 4 de junho de 2019
Lojinhas inconvenientes
Pausei a cena de uma série americana, porque apareceu na tela a fachada de uma "Convenience store".
O que tem isso a ver com o Português? Já explico.
O atento amigo começou a encontrar por aí "lojas de conveniências" (!), acreditem.
Para simplificar a compreensão do que é CONVENIÊNCIA e do que são as "conveniências", copio o verbete do Houaiss:
CONVENIÊNCIA
substantivo feminino
1 qualidade do que é conveniente
2 aquilo que atende ao gosto, às necessidades, ao bem-estar de um indivíduo
Ex.: para a conveniência dos hóspedes, puseram frigobar nos quartos
3 aquilo que é útil, que simplifica uma rotina, que economiza o tempo etc.; utilidade, vantagem
Ex.: a conveniência de um serviço em domicílio
4 interesse ou vantagem material, social etc.
Ex.: casamento de conveniência
5 decoro, decência, distinção
Ex.: comportamento que ultraja a conveniência pública
CONVENIÊNCIAS
substantivo feminino plural
6 convenções; normas
Ex.: atitudes que ferem as conveniências políticas
6.1 convenções sociais
Ex.: <guardar as conveniências> <respeitar as conveniências>
O que tem isso a ver com o Português? Já explico.
O atento amigo começou a encontrar por aí "lojas de conveniências" (!), acreditem.
Para simplificar a compreensão do que é CONVENIÊNCIA e do que são as "conveniências", copio o verbete do Houaiss:
CONVENIÊNCIA
substantivo feminino
1 qualidade do que é conveniente
2 aquilo que atende ao gosto, às necessidades, ao bem-estar de um indivíduo
Ex.: para a conveniência dos hóspedes, puseram frigobar nos quartos
3 aquilo que é útil, que simplifica uma rotina, que economiza o tempo etc.; utilidade, vantagem
Ex.: a conveniência de um serviço em domicílio
4 interesse ou vantagem material, social etc.
Ex.: casamento de conveniência
5 decoro, decência, distinção
Ex.: comportamento que ultraja a conveniência pública
CONVENIÊNCIAS
substantivo feminino plural
6 convenções; normas
Ex.: atitudes que ferem as conveniências políticas
6.1 convenções sociais
Ex.: <guardar as conveniências> <respeitar as conveniências>
segunda-feira, 3 de junho de 2019
Sem Educação, a praga se alastra
Evidentemente, com o caos na Educação, a tendência é vermos cada vez mais nosso lindo idioma ser maltratado na imprensa.
Vejam a estrambótica regência que um amigo me enviou ontem: desautoriza "DE", gente?!?
De onde o editor do Globo sacou esse trem? De qualquer dicionário sério, eu garanto que NÃO foi.
É muito triste acompanhar o estropiamento das regências e ver esse jornalismo chinfrim fazer escola.
Hoje, recebi um e-mail da Decolar.com, com o título:
"Pague suas férias a Rio de Janeiro e São Paulo em parcelas!"
Eu não tiraria férias "A" algum lugar nem se ainda tivesse emprego e grana.
PS: marquei a minúscula "pasta" do subtítulo (vide imagem) porque já se recomendou o uso de maiúscula nesse caso. Como está tudo apequenado mesmo, acho que faz sentido a caixa baixa.
Vejam a estrambótica regência que um amigo me enviou ontem: desautoriza "DE", gente?!?
De onde o editor do Globo sacou esse trem? De qualquer dicionário sério, eu garanto que NÃO foi.
É muito triste acompanhar o estropiamento das regências e ver esse jornalismo chinfrim fazer escola.
Hoje, recebi um e-mail da Decolar.com, com o título:
"Pague suas férias a Rio de Janeiro e São Paulo em parcelas!"
Eu não tiraria férias "A" algum lugar nem se ainda tivesse emprego e grana.
PS: marquei a minúscula "pasta" do subtítulo (vide imagem) porque já se recomendou o uso de maiúscula nesse caso. Como está tudo apequenado mesmo, acho que faz sentido a caixa baixa.
Onde foi parar o respeito?
Definitivamente, os colegas não têm o menor respeito pelo Português e pela desgraça alheia.
A amiga me marcou na postagem do Globo, mas, quando eu cliquei no link, o absurdo já tinha sido retirado do Twitter. Afinal, faz algum sentido dizer que "uma pessoa desaparecida vai ser enterrada"?!? Onde estava a cabeça de quem escreveu o disparate?
Quando tentei achar a matéria no jornal online, caí na capa do G1 e confirmei: ninguém se preocupa com mais nada.
Dane-se se o ridículo, a imbecilidade, o que for. Os jornalistas desconhecem o ÓBVIO ULULANTE: alguém precisa sumir para ser encontrado.
Quanto à morte, ficou perdida na lamentável história.
A amiga me marcou na postagem do Globo, mas, quando eu cliquei no link, o absurdo já tinha sido retirado do Twitter. Afinal, faz algum sentido dizer que "uma pessoa desaparecida vai ser enterrada"?!? Onde estava a cabeça de quem escreveu o disparate?
Quando tentei achar a matéria no jornal online, caí na capa do G1 e confirmei: ninguém se preocupa com mais nada.
Dane-se se o ridículo, a imbecilidade, o que for. Os jornalistas desconhecem o ÓBVIO ULULANTE: alguém precisa sumir para ser encontrado.
Quanto à morte, ficou perdida na lamentável história.
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