segunda-feira, 10 de junho de 2019

Vaza erro pra todo lado

Não se pode passar um fim de semana sem entrar na internet, ligar a TV etc. que não só a gente descobre que o mundo descobriu o que gente atenta já sabia e os erros da imprensa, enviados por amigos diversos, se acumulam.

Todo mundo já deve ter lido o absurdo do "Fulana também se contradizeu".

Vejam o verbo DIZER aí na imagem. Procurem um "dizeu".

Se alguém encontrar, eu juro que não vou contradizer o Houaiss.

Muita gente mandou pra mim o erro do crasso do Globo, no qual a assídua colaboradora achou ontem um igualmente brabo "eu vi como a fez bem chamar pelo nome (...)".

Crianças, eu vi como LHE FEZ bem, ou eu vi como FEZ BEM A ELA, tá?

E não copiem o Facebook, que inventou mais uma: "Fulano publicou a publicação de Beltrano".

Vai entender de Português assim na Argentina. Esconjuro!

sábado, 8 de junho de 2019

Como marcar um encontro

A assídua colaboradora estranhou a frase que abre nota do Ancelmo Sempre Ele Gois:

"No domingo, às 16h30, está marcado um abraço simbólico (...)".

"Está marcado no domingo?"

De fato, a construção ficou muito, muito estranha.

"Encontro marcado" é o que não falta na literatura (a começar pelo livro do Fernando Sabino), em título de filme, de programa de TV...

Mas o mesmo compromisso que está marcado NA AGENDA costuma ser marcado PARA O DIA tal. Vai dizer que não soa melhor e faz mais sentido?

Agora, com licença, porque eu tenho um encontro marcado com Morfeu.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

O Rio de Janeiro acabou mesmo

Eu sei que a situação do Rio é pra lá de péssima, mas não imaginava que estávamos tão a perigo, com apenas UMA delegacia funcionando.

Gente, o prefeito mandou fechar tudo? Demitiu todo mundo?

Se não foi isso, como se explica a manchete da ESPN, que diz que aquele garoto chato foi depor NA delegacia da cidade?

A crase indica exatamente isso.

Se a pessoa VAI A UMA delegacia, o leitor fica sabendo que há várias.

Se vai À DELEGACIA do LOCAL, é porque não há outras.   

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Será que é pedir muito?


Em nome da assídua colaboradora, do atento amigo e de todos os amantes do idioma pátrio, peço aos jovens e velhos jornalistas que estão nas redações que façam textos e títulos decentes. (Repararam que eu PEDI QUE, não pedi "para que" nada a ninguém?)

O descuido com as regências tem sido comentado aqui quase diariamente. (Repararam que eu COMENTEI O DESCUIDO e não comentei "sobre" este tema ou outro qualquer?)

A cada edição surge uma novidade, como um horroroso "opinou pelo", que está no Globo de hoje. A gente LUTA PELA Educação e OPINA A FAVOR dela.

Os colegas estão escrevendo vergonhosamente MAL — e eu vou bater três vezes na madeira para afastar da imprensa o MAU OLHADO e o MAU PORTUGUÊS.

O primarismo é tanto que já estão confundindo "espólio" (ou herança) com "HERDEIROS" (ou legatários).

Bens não planejam coisa alguma, seja ela BOA ou MÁ, entenderam?

terça-feira, 4 de junho de 2019

Lojinhas inconvenientes

Pausei a cena de uma série americana, porque apareceu na tela a fachada de uma "Convenience store".

O que tem isso a ver com o Português? Já explico.

O atento amigo começou a encontrar por aí "lojas de conveniências" (!), acreditem.

Para simplificar a compreensão do que é CONVENIÊNCIA e do que são as "conveniências", copio o verbete do Houaiss:

CONVENIÊNCIA
substantivo feminino
1 qualidade do que é conveniente
2 aquilo que atende ao gosto, às necessidades, ao bem-estar de um indivíduo
Ex.: para a conveniência dos hóspedes, puseram frigobar nos quartos
3 aquilo que é útil, que simplifica uma rotina, que economiza o tempo etc.; utilidade, vantagem
Ex.: a conveniência de um serviço em domicílio
4 interesse ou vantagem material, social etc.
Ex.: casamento de conveniência
5 decoro, decência, distinção
Ex.: comportamento que ultraja a conveniência pública
CONVENIÊNCIAS
substantivo feminino plural
6 convenções; normas
Ex.: atitudes que ferem as conveniências políticas
6.1 convenções sociais
Ex.: <guardar as conveniências> <respeitar as conveniências>

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Sem Educação, a praga se alastra

Evidentemente, com o caos na Educação, a tendência é vermos cada vez mais nosso lindo idioma ser maltratado na imprensa.

Vejam a estrambótica regência que um amigo me enviou ontem: desautoriza "DE", gente?!?

De onde o editor do Globo sacou esse trem? De qualquer dicionário sério, eu garanto que NÃO foi.

É muito triste acompanhar o estropiamento das regências e ver esse jornalismo chinfrim fazer escola.

Hoje, recebi um e-mail da Decolar.com, com o título:

"Pague suas férias a Rio de Janeiro e São Paulo em parcelas!"

Eu não tiraria férias "A" algum lugar nem se ainda tivesse emprego e grana.


PS: marquei a minúscula "pasta" do subtítulo (vide imagem) porque já se recomendou o uso de maiúscula nesse caso. Como está tudo apequenado mesmo, acho que faz sentido a caixa baixa.

Onde foi parar o respeito?

Definitivamente, os colegas não têm o menor respeito pelo Português e pela desgraça alheia.

A amiga me marcou na postagem do Globo, mas, quando eu cliquei no link, o absurdo já tinha sido retirado do Twitter. Afinal, faz algum sentido dizer que "uma pessoa desaparecida vai ser enterrada"?!? Onde estava a cabeça de quem escreveu o disparate?

Quando tentei achar a matéria no jornal online, caí na capa do G1 e confirmei: ninguém se preocupa com mais nada.

Dane-se se o ridículo, a imbecilidade, o que for. Os jornalistas desconhecem o ÓBVIO ULULANTE: alguém precisa sumir para ser encontrado.

Quanto à morte, ficou perdida na lamentável história.