sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O textão do Gatão

Gosto muito do humor do Miguel Paiva, mas confesso que prefiro os cartuns com textos curtinhos. Nos longos, como este de hoje, acabo encontrando coisas que poderiam estar mais bem escritas.

Vai dizer que esta frase não fica melhor deste jeito: "(...) a casa à beira-mar que ganhou de uma imobiliária"?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sujeito perdido

A desatenção rola solta no Globo. Hoje, novamente na coluna Controle Remoto (pela qual costumo passar os olhos depois das cada vez piores Diretas da Coquetel), empaquei na primeira linha da nota "Nepal 1":

"Amora Mautner, Ricardo Waddington e parte da equipe de 'O pequeno Buda' que foi ao Nepal já está no Rio."

Peraí, deixa eu ver se entendi. Parte da equipe já está no Rio. E a Amora e o Ricardo? Onde estão? Quem é, afinal, o sujeito da frase?

PS: Logo abaixo da coluna, os títulos lisérgicos da seção que traz uns quatro filmes do dia, pelo visto, tomaram jeito e "se aprumaram". O autor delirante deve ter migrado para o online, a julgar pela colaboração enviada ontem por uma amiga jornalista:

"Morando (...)  no Humaitá, Laura é pressionada pela proprietária, que já expressou um desejo incontrolável de aumentar o aluguel."

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cadê a atenção?

Ficou estranha a frase "Ela foi chamada a atenção", na coluna Controle Remoto de hoje. Afinal, quando a palavra tem esse sentido, não se diz que "alguém chamou a atenção de Fulano"?

A atriz em questão até podia ter sido chamada para levar uma bronca. Do jeito que está, não faz sentido. Vejam o que diz o Houaiss:

"chamar a atenção de: fazer advertência; repreender, advertir, admoestar <a mãe chamou a a. do filho para que parasse de brigar>"

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vai para o trono ou não vai?

Grande amiga jornalista e escritora de mão cheia me manda a seguinte contribuição:

"(...) O príncipe William e Kate Middleton se casaram em abril de 2011, sendo o primeiro filho do príncipe Charles a ter uma relação matrimonial. Caso seja menino, o bebê será o terceiro na linha de sucessão presidencial, atrás de William e Charles." (Folha de São Paulo, 15h, 3/12)

Veio com comentário, claro: "(...) Olha bem que loucura. Sucessão presidencial, atrás do pai e do avô. E o que é relação matrimonial?"

Minha amiga diz que "o pessoal parece que bebe". Eu acho que, somando ao que estão fazendo com a rainha (vide nota abaixo), só pode ser implicância com a família real britânica (ou com a monarquia em geral).

Last but not least, alguém também sabe explicar o significado de "sendo o primeiro filho do príncipe (...)"? Quem é o sujeito desta coisa mal construída? William e Kate? Vai pra trono pelo conjunto da obra!

domingo, 2 de dezembro de 2012

As joias da coroa

A rainha da Inglaterra festejou jubileu de diamante no trono e ganhou trilogia de Andrew Marr, "The diamond queen", aqui traduzida como "A real Elizabeth". Atracada com o primeiro livro, que ganhou no (recente) aniversário, a amiga jornalista, craque tanto no idioma pátrio quanto na língua dos britânicos, se diz encantada com a história, mas irada com a tradução.

Entre outras falhas, ela destaca os "2.500 hóspedes" que teriam sido recebidos pelo pai da protagonista — eram 2.500 convidados ("guests"), claro — e a quantidade absurda de militares no Reino Unido, uma vez que há "oficiais" em todo canto na biografia, inclusive, em certa época, indo tomar chá de chapéu-coco e ternos listrados. Com tal "uniforme", não foi difícil matar a charada: os incontáveis "oficiais" do(s) tradutor(es) são nada mais, nada menos que "the officials", ou seja, "os funcionários".

Acho que, em vez do planejado colar, vou fazer uma coroa de pérolas.

Você concorda?

Em conversa com uma amiga jornalista, ao telefone, ela me conta da pérola que pescou quarta-feira, no "Hoje" (estava anotadinha na agenda, esperando a chance de ser passada pra mim):

"(...) O comunicado que os dirigentes da CBF fizeram a ele, ontem, o deixaram especialmente feliz."

Gente, o que é isso? Os dirigentes fizeram, certíssimo. Mas o comunicado o deixaram?!? Nananinanão!

Reflexionar é preciso

Ler a (ótima) coluna do colega João Ubaldo Ribeiro me fez refletir em muitos temas, em campos diversos.

Um deles foi a ocasião em que ouvi (num passado não tão distante quanto eu gostaria) alguém defender uma pessoa execrável com a definição: "Mas ela (a pessoa) é honesta!" — o que muito me espantou, pois acreditava que honestidade era qualidade intrínseca ao ser humano e que sua existência era regra, não exceção. Santa ingenuidade, Batman!

Outro, entre vários, foi o que muitos devem considerar banal, ou até mesmo ultrapassado: o prazer de ler um texto com todos os pronomes e preposições em seus devidos lugares. Além do tal "conteúdo" — hoje na moda —, dá gosto ver coisas que andam rareando, tais como: "no que exercem direito", "que se eximam", "em que incorreram", "que se revelaram", "a que já nem prestamos atenção", "em que se deixaram"...

A quem se sentir incomodado com a ênfase nos verbos reflexivos e pronominais, explico: seu mau uso anda incomodando muito mais (os amigos colaboradores volta e meia retornam ao assunto em seus e-mails).

Hoje mesmo, em simpática materinha com a grande Fernanda Montenegro, encontrei o deslize em "a situação complica". Alguém me explica o que foi complicado pela situação? A resposta é: nada! A situação fica mais complicada, é passiva, não provoca qualquer ação. Ou seja, ela se complica. Deu para entender?