quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Jornalismo por baixo

Alguns colegas querem estar sempre por cima.

Já li que o "Brasil descumpre meta SOBRE homicídios", que o "enredo da escola (tal) é SOBRE (Fulano ou Beltrano)", que "famosos comentam SOBRE o casamento britânico" e outros disparates.

Agora, com a colaboração de um amigo, descubro que há colegas que preferem ficar por baixo.

Antes que me interpretem mal, explico: no Globo de ontem, a matéria de um debate realizado no próprio jornal (mediado pelo George Vidor) reproduziu assim uma fala do presidente da MPE, Renato Abreu:

"(...) Temos que ter modais SOB trilhos (...)."

Fiquei preocupada. Se hoje os nossos trens já não andam exatamente nos trilhos, o que será do nosso sistema de transporte se resolverem pendurar os vagões abaixo deles?!? Descarrilaram de vez!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Maconha que vem do exterior

O mesmo amigo ouviu na rádio CBN, de manhã, que a polícia tinha prendido uns traficantes e apreendido muita maconha "no interior do porta-malas do carro dos bandidos". 


Tive que rir com a imagem que passou pela cabeça dele, pois imaginei coisa parecida:

"Cheguei a pensar que a maconha pudesse estar amarrada na tampa do porta-malas, por exemplo..."

Depois ri de novo, pois visualizei um cestão "no exterior" do porta-malas do veículo e os traficantes apregoando seu produto pelas ruas em alto-falantes, como se fosse "pamonha". Dá rima!

Sem senso e sem comparação

Quando estou enrolada, desatenta, ou mesmo sem jornal, tem sempre um amigo antenado pronto a colaborar com o blog.

Com agradecimentos a todos eles, mando aqui uma das pérolas pescadas por um querido ex-colega de redação.

O local da "pescaria" foi a página 16 do Globo de ontem. Está lá, como ele me contou:

"(...) Um cara atropelou mãe e filho na Ilha do Governador. O menino morreu, a mãe ficou ferida. Declaração da mãe (segundo o repórter): 'Me machuquei um pouco, mas nada se compara ao que aconteceu com o meu filho'."
Meu amigo arremata:

"De fato, nada se compara." Precisa dizer mais?

sábado, 3 de agosto de 2013

Adeus às "illusions"

"Lifestyle", "performer", "fashion communication", "stylist"...
 
Encontrei tanto termo "gringo" no Globo de hoje — do primeiro ao último caderno e sem itálico ou coisa do gênero — que achei que estava em outro país.

Só tive certeza de que estava no Brasil mesmo quando li que estão pensando em transferir parte das Olimpíadas da cidade do Rio de Janeiro para Foz do Iguaçu, lá longe.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Quando 'child' é filho mesmo

Segundo consta, o feiosão aí da foto faz sucesso em programas do tipo "reality", que não passam na minha TV.

Mas uma amiga jornalista encontrou o tal Simon Cowell em texto ainda mais feio que ele, no noticiário do Terra.

O tema é um imbróglio entre Simon, seu amigo Andrew e a esposa deste, que estaria esperando um filho do primeiro.

Além de ser leitura indispensável (como é que eu não sabia de nada disso?!?), o "primor" de matéria traz, lá pras tantas, a seguinte frase:

"Lauren ainda é tecnicamente casada com Andrew, mas deve se divorciar para viver com o pai de sua futura criança."

Podiam completar a coisa dizendo seu(sua) futuro(a) adolescente, futuro(a) adulto(a) etc. etc. — e aposentando de vez o tradutor do Google.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Sentimentos de areia

Provavelmente revoltadas por terem sido expulsas das novas arenas, embora estejam na origem do seu nome, as areias resolveram externar seus sentimentos e tentar atrair novos admiradores em outras plagas.

Bom, pelo menos é o que dá pra se imaginar pelo título da seção Filmes de 
Hoje, do Segundo Caderno, que exibe umas tais "AREIAS AFETIVAS".

Eu conhecia areia fina, areia grossa, clara e escura, quente, movediça...
"Afetiva" é novidade. Dá até um certo receio de passar pela praia. Vai que ela está carente e...

O Inter veio do Sul e não viu nada!

Minha amiga genealogista ouviu a besteira primeiramente no rádio, nas notícias das manifestações do povo nas ruas.

Depois, tornou a ouvir na Globonews, num papo "jornalístico-informal" a respeito da visita do papa.

Mas só hoje, quando viu o erro impresso, na coluna Panorama Político, não resistiu e ligou pra me contar.

Cheguei a duvidar por instantes. Porém, está lá, com todas as letras:

"(...) a direção de seu partido interviu no Paraná (...)". Ui!

Essa a gente aprendia na escola: o verbo é INTERVIR, não é "interver". Portanto, conjuga-se como VIR, não como "ver": o partido INTERVEIO, a polícia INTERVEIO e assim por diante.

"Interviu" pode ser usado, quem sabe, num dia em que o Verissimo não desgrudou da TV porque tinha jogo do seu time, quando um médico examinou ressonâncias, raios-X e o escambau, para conhecer o interior do paciente... Sei lá eu!