sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Aprenda antes de usar

Uma amiga que recebe O Globo enviou colaboração que confirma: Gente Boba não sabe o que significa "recapitular".

Em nota a respeito de um menino e uma babá numa academia, diz a coluna:

"A direção, que garantiu o acesso de crianças aos banheiros femininos, RECAPITULOU. A placa (...) foi retirada da porta do toalete."

Recapitulando a lição: "recapitular" quer dizer "reduzir aos tópicos principais ou ao que é essencial; compendiar, resumir, sintetizar; examinar sumariamente; trazer novamente à lembrança; rememorar".

O pessoal da coluna devia estar naquela seção da revista dominical do jornal que faz da ignorância do povo tema de piada, pois desconhece o verbo "capitular", que se aplicaria na frase.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Regência e demonstrativos

Lendo uns pedacinhos do Globo de domingo que sobraram aqui, confirmo que os colegas continuam atrapalhados com a regência e com os pronomes demonstrativos.

Um exemplo do primeiro caso está na matéria de capa do Segundo Caderno:

"(...) Timon (de Atenas) prepara um banquete final ÀQUELES que, em breve, serão (...)".

Que eu saiba (e o Houaiss e o Aurélio...), a gente prepara alguma coisa PARA alguém — assim como prepara alguém PARA alguma coisa etc. etc.

Dois exemplos do segundo caso encontram-se em "Exclusão social no Vale do Silício preocupa", um "textículo":

1) "Eu nasci no meio de pobres. ISSO me fez querer (...)".

2) "Sou sempre legal, ESSA é a minha arma secreta".

Pela proximidade, deviam ter sido usados "ISTO" e "ESTA".

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Causa? Não continuou os estudos

O amigo acaba de postar no Facebook:

"'(...) as ruas de Hong Kong SEGUIRAM BLOQUEADAS (...)', disse agora Márcio Gomes no JN. Tá feio o negócio."

Feiíssimo, arremato daqui.

Só faltou dizer que elas SEGUIRAM BLOQUEADAS POR CONTA da falta de familiaridade com nosso idioma.

Tautologia em ação

O atento amigo ligou o rádio na CBN, hoje de manhã, e me conta o que ouviu:

"Octavio Guedes saúda Lilian Ribeiro, que faz aniversário, e começa a relatar um 'fato real'. Ela pede confirmação: 'Um fato real mesmo?' Ele confirma."

Enquanto meu amigo espera os comentários a respeito de "fatos fictícios", eu aproveito pra explicar que FATO é algo cuja existência pode ser constatada de modo indiscutível — e isto se aplica ao seu uso jurídico, científico e "genérico".

Os colegas do Globo deram a mesma escorregada no pleonasmo na capa do Segundo Caderno de sábado, já citada aqui por causa de outro tropeção.

sábado, 4 de outubro de 2014

Não pensa, logo...


Caros colegas, cuidado com as conjunções — e com suas funções, variadíssimas.



"Logo", "por conseguinte" e "portanto", por exemplo, são conclusivas.

Como explica o Houaiss, "introduzem uma oração coordenada que contém a conclusão de um raciocínio ou exposição de motivos anterior".

Portanto, não têm lugar na matéria de capa do Segundo Caderno, ligando a informação de que uma pessoa escreveu livros que concorreram a prêmios e o fato de que ela "corre os olhos pelas pelas muitas estantes da sala da casa (...)".

Desde quando uma consequência de ser escritor é "correr os olhos pelas muitas estantes" etc. etc.?

Mistérios da imprensa

O que está acontecendo nas redações?

Que não há mais copidesques e revisores, já deu pra notar.

Mas ainda há alguns mistérios que não consegui desvendar.

Onde estudaram os repórteres e onde foram parar os editores?

Ninguém mais lê nada antes de publicar?

E "PRECIDENCIÁVEIS" significa o quê?

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Sem intimidade com o tema

O Globo continua não chegando aqui em casa, mas, vira e mexe, amigos que recebem o jornal me enviam colaborações.

Um deles, hoje, pergunta:

"Como publicam (no caderno Zona Sul) uma reportagem sobre sebos em que, numa hora, as autoras parecem íntimas do autor de 'Os sertões' e, na seguinte, desconhecem o nome de um escritor de livros fundamentais para quem estudou Comunicação?"

Pois é.

Segundo o colega, as repórteres falam de "um exemplar de Sílvio Romero com dedicação de próprio punho AO Euclides da Cunha". "Ao Euclides", tão amiguinho, é forte — e "dedicatória" soa melhor, né?

Mais adiante, aparece um tal de "Humberto Eco", assim mesmo, com "agá". Alguém aí já leu?