Folheio o jornal de bairros de ontem e, logo na capa, encontro a chamada:
"Brechós têm de vasos raros roupas e sapatos seminovos".
Evidentemente, a preposição "caiu no elevador", a caminho da oficina.
E o que dizer desse discurso da presidente, publicado hoje?
"É uma tristeza dupla o país ter gente vivendo na pobreza absoluta e essa pobreza, ainda por cima, se concentrar mais fortemente nas crianças e nos jovens. Essa é a razão do Brasil Carinhoso."
Confesso que me passou pela cabeça chamar a Madame Natasha, aquela do Elio Gaspari. Ou este é um caso para Eremildo, o idiota?
Um pouco das besteiras lidas e ouvidas aqui e acolá.
E um pouco das coisas boas também, que ninguém é de ferro.
(infelizmente, estas estão cada vez mais raras...)
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Capotagem feia!
Outro amigo (e colega jornalista) me passou e-mail há vários dias (minhas desculpas pra ele também!), reclamando do "uso impróprio da preposição 'durante' nos relatos dos repórteres".
Ele dá um exemplo: "(Fulana) morreu durante o capotamento do carro." E questiona: "Durante o capotamento? A gente diz apenas que a mulher morreu no capotamento; ou depois de ser socorrida; ou no hospital, após (...). Acho que é mais uma das chupações do inglês. Veja este texto que li hoje: 'The driver of the truck was not injured during the accident'."
Pois é. Ao contrário do que muita gente acreditava, nem tudo o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil, especialmente no idioma. É só ver o desastre dos mal traduzidos manuais de telemarketing, com seus "vamos estar fazendo isso", "vamos estar providenciando aquilo", que têm voltado com força total aos atendimentos ao consumidor. Argh!
Ele dá um exemplo: "(Fulana) morreu durante o capotamento do carro." E questiona: "Durante o capotamento? A gente diz apenas que a mulher morreu no capotamento; ou depois de ser socorrida; ou no hospital, após (...). Acho que é mais uma das chupações do inglês. Veja este texto que li hoje: 'The driver of the truck was not injured during the accident'."
Pois é. Ao contrário do que muita gente acreditava, nem tudo o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil, especialmente no idioma. É só ver o desastre dos mal traduzidos manuais de telemarketing, com seus "vamos estar fazendo isso", "vamos estar providenciando aquilo", que têm voltado com força total aos atendimentos ao consumidor. Argh!
Depois do 'por conta', o 'por meio'
Um amigo me escreveu no início da semana (desculpe a demora!), falando do excesso de "por meio" em matéria da Folha online.
Acho que o novo "fenômeno jornalístico" se dá por causa do medo de errar. Explico: o "por causa" está dando lugar ao "por conta" numa rapidez astronômica por puro modismo; já o "por meio", acredito, começa a ser usado com frequência cada vez maior porque os colegas ouviram dizer que não se deve apelar para o "através" em qualquer ocasião, já que ele significa "por dentro de; pelo interior de". Mas a expressão é mais do que isso, tá, pessoal? É só dar uma procuradinha no dicionário para constatar.
Acho que o novo "fenômeno jornalístico" se dá por causa do medo de errar. Explico: o "por causa" está dando lugar ao "por conta" numa rapidez astronômica por puro modismo; já o "por meio", acredito, começa a ser usado com frequência cada vez maior porque os colegas ouviram dizer que não se deve apelar para o "através" em qualquer ocasião, já que ele significa "por dentro de; pelo interior de". Mas a expressão é mais do que isso, tá, pessoal? É só dar uma procuradinha no dicionário para constatar.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Mais uma de doer
Amiga tradutora, formada em Letras, escreve: "Você sabe que tem problemas quando, esperando na fila do caixa de um Hortifruti, saca uma caneta da bolsa, corrige o aviso que diz 'Grata pela compreenção' e ainda acha uma pena não ter dado pra fazer o mesmo nos outros dez caixas."
Alô, alô, pessoal! Uma rede do porte do Hortifruti tem que tomar cuidado não só com os legumes e frutas, mas também com o Português que oferece à clientela. Grata pela compreensão.
Alô, alô, pessoal! Uma rede do porte do Hortifruti tem que tomar cuidado não só com os legumes e frutas, mas também com o Português que oferece à clientela. Grata pela compreensão.
Qual será a causa?
Há coisas que, mesmo corretas, incomodam a vista. Como este título do caderno de esportes do Globo:
"Em razão da crise, espaço se abre para os jovens."
Juntamente com o excesso de "por conta" que vejo e ouço atualmente, ele me faz pensar no que estaria motivando a ojeriza pela boa e velha causa.
As pessoas — especialmente os colegas jornalistas — parecem temer o uso da palavra — especialmente na expressão "por causa", antes corriqueira. Algum psicólogo, antropólogo, sociólogo ou estilista pode me explicar esse fenômeno, antes que ele acabe em banimento?
"Em razão da crise, espaço se abre para os jovens."
Juntamente com o excesso de "por conta" que vejo e ouço atualmente, ele me faz pensar no que estaria motivando a ojeriza pela boa e velha causa.
As pessoas — especialmente os colegas jornalistas — parecem temer o uso da palavra — especialmente na expressão "por causa", antes corriqueira. Algum psicólogo, antropólogo, sociólogo ou estilista pode me explicar esse fenômeno, antes que ele acabe em banimento?
sábado, 24 de novembro de 2012
Português de fachada no Bobajal
Gente, eu passei batido por essa reportagem, mas ela não escapou dos olhos atentos da amiga jornalista, que me enviou a seguinte mensagem:
"(...) não sei se é para rir ou chorar: você viu na pág. 20 do Globo de hoje a matéria 'Desmantelada quadrilha de estelionatários'? Ela informa que 'o grupo atuou usando o nome de dez empresas diferentes, todas de faixada'. Devem ser empresas com a parede frontal coberta de faixas..."
Única resposta cabível: "Ui, essa doeu! E vai pro blog, claro. Obrigada"
"(...) não sei se é para rir ou chorar: você viu na pág. 20 do Globo de hoje a matéria 'Desmantelada quadrilha de estelionatários'? Ela informa que 'o grupo atuou usando o nome de dez empresas diferentes, todas de faixada'. Devem ser empresas com a parede frontal coberta de faixas..."
Única resposta cabível: "Ui, essa doeu! E vai pro blog, claro. Obrigada"
Use, mas não abuse
Já me alertando para a falha na menção ao filme "E se vivêssemos todos juntos?" (faltou o acento em "vivêssemos"), minha irmã me sugeriu ler a matéria com a Jane Fonda, no Ela — e lá fui eu.
Ia tudo bem até que... dou de cara com o primeiro casamento da atriz, com o diretor francês Roger Vadim, "que lhe deu a filha Vanessa, produtora de cinema, além de dois netos".
Como assim?!? O Vadim deu-lhe os netos "por tabela" ou abusou da filha? É mais fácil terem, como de hábito, abusado do idioma. Recomenda-se tratá-lo como álcool, adotando o slogan "use com moderação".
Ia tudo bem até que... dou de cara com o primeiro casamento da atriz, com o diretor francês Roger Vadim, "que lhe deu a filha Vanessa, produtora de cinema, além de dois netos".
Como assim?!? O Vadim deu-lhe os netos "por tabela" ou abusou da filha? É mais fácil terem, como de hábito, abusado do idioma. Recomenda-se tratá-lo como álcool, adotando o slogan "use com moderação".
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