domingo, 11 de novembro de 2012

Atenção, editores!

Comecei a jogar fora alguns pedaços de jornal que haviam ficado esquecidos por aqui nos últimos dias e notei uma coisa que raramente acontecia no Globo: a repetição de um mesmo verbo em vários títulos, em páginas contíguas e até numa só.

É um tal de "acidente deixa (não sei quantos feridos)" ao lado de "greve deixa (alunos sem aula, por exemplo)" e "chuva deixa (multidão desabrigada, sem luz etc.)". Em seguida, vem o "provocar" — os mesmos acidentes, greves, chuvas e que tais provocam efeitos variados, um do ladinho do outro. E por aí vamos.

Fica feio, pessoal! Presta um pouco mais de atenção e cuidado, vai!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Use, mas não abuse

Dia desses comentei o uso excessivo dos trocadilhos na mídia. Pois a "vitória democrata" nos EUA rendeu coisas esquistas no Globo.

Um exemplo? "Lágrimas conservadoras". Alguém sabe explicar o que é isso? Eu não sei, mas imagino que loucuras poderia fazer uma pessoa acometida por "euforia liberal".

Bomba pro Enem

O MEC já irritou meio mundo com as questões que abusaram do português coloquial. Muita gente chiou (com razão) do desprezo da instituição à norma culta, que, imagina-se, será exigida dos estudantes no futuro.

Lendo a matéria no Globo a respeito do assunto, acrescento mais um zero à cotação dos mestres que elaboraram as provas, Numa delas, que teve um trecho reproduzido no jornal, diz o texto do Enem:

"Cartuns são produzidos com o intuito de satirizar comportamentos humanos e assim oportunizam a reflexão sobre nossos próprios comportamentos e atitudes."

A frase em si já é horrorosa. Como se não bastasse, os professores com pretensão a ser Guimarães Rosa na vida deviam saber que, na República Federativa do Bobajal, o verbo "oportunizar" não tem registro, seja na ABL, no Houaiss, no Aurélio ou outro dicionário qualquer.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Invasão aérea

Ao contrário dos suplementos dominicais do Globo, não costumo fazer pilhéria com erros cometidos por nossos iletrados compatriotas, tão carentes de boas escolas Brasil afora. Incomodam-me as atrocidades perpetradas por profissionais que trabalham com o idioma — e, portanto, deviam conhecê-lo bem e tratá-lo com o máximo cuidado.

Dito isso, dou a escorregadela: não pude conter um sorriso ao ouvir um porteiro do meu prédio anunciar, pelo interfone, a chegada do "homem da esquadrilha". No lugar do serralheiro munido de trena e bloco para fazer contas e orçamento, imaginei como seria ver meu apartamento invadido por aqueles aviões que fazem mil manobras ensaiadas no ar.

domingo, 4 de novembro de 2012

Ressurreição indesejável

Há tempos parecia morta e enterrada a mania de encerrar a fala de um entrevistado com delírios do tipo "elucubra Fulano", "argúi Beltrano", "averigua Sicrano" e por aí vamos, com invencionices ainda piores. No entanto, a Revista da TV do Globo parece disposta a ressuscitar o feiíssimo modismo, que tem cara de muleta usada para passar (falsa) ideia de erudição.

Fã de "Arquivo X", encarei a matéria com o roteirista Frank Spotnitz. Para começar, Spotnitz é definido como o showrunner de "Hunted", o que ele desmente parágrafos adiante, afirmando que tal função não existe na Inglaterra, onde a série é feita — aliás, custava "traduzir" para o leitor menos familiarizado com esse universo que showrunner é quem lidera a equipe de escritores e decide os rumos dos seriados?

Mas eu mereço, porque não parei a leitura na frase:

"(...) O que falta é encontrar um estúdio — deseja."

Faz sentido? Pois é... O trem acaba num triste "Há desafios, mas também alegrias — explica". E eu estou aqui tentando achar explicação para a aversão ao bom e velho verbo "dizer".

sábado, 3 de novembro de 2012

Comunique-se, por favor

Amiga jornalista mandou, há muitos dias, uma pérola encontrada justamente no Comunique-se, feito por e para profissionais da nossa área. Como andei ocupada (tal qual linha telefônica "em comunicação") e o dito veículo é um site, achei que o mal construído parágrafo que abre a matéria já teria sido consertado a essas alturas. Mas não é que a coisa feia continua lá, sob o título "Veja com o que se preocupar na hora de fazer um plano de comunicação"? Vejam que beleza de construção:

"(...) Para quem trabalha com as novas mídias, a dúvida de como transformar o conteúdo mais atraente é recorrente. Para a sócia-fundadora da agência (...), (Fulana de Tal), essa questão trata-se de planejamento e pesquisa. 'As marcas têm que encontrar relevância que conectam elas com o consumidor para seguir uma dinâmica', explica."

A colega e colaboradora arrematou sua mensagem com a famosa frase do apresentador Chacrinha, reproduzida ao lado. Precisa dizer mais?

Português não é espanhol

Há pouco, no "Hoje", um repórter cometeu o engano — comum por aí, mas inaceitável em nossa profissão — de chamar "necropsia" de "necrópsia", como se nela existisse um acento agudo no "o".

Não há e, diferentemente da língua espanhola, no nosso idioma não precisamos de um acento no "i" para ler "necropsia" como pronunciamos em bom Português.

Se o profissional é do tipo que confunde "necropsia" com a sinônima  — e devidamente acentuada — "autópsia", melhor escolher esta quando o texto assim o exigir.

PS: leiam os comentários abaixo. Uma amiga me enviou mensagem, dizendo que a Academia já aceita a forma "necrópsia", com acento. Primeiro ponto pra ela nessa horrorosa nova reforma ortográfica.