sexta-feira, 20 de abril de 2018

Sem permissão para errar

Alguém me explica por que os colegas jornalistas estão usando tanta preposição deslocada nos textos?

O atento amigo registrou duas hoje, ambas com o mesmo personagem: o famigerado Maluf.

Na Globonews. criaram um embargo "a ele".

Procurem na internet, meninos e meninas. Não há.

Sei que, às vezes, o "juridiquês" nem parece Português, por isso lhes dou, de bandeja, a explicação do amigo:

"Interpõe-se embargo a alguma decisão, mas não à pessoa que é objeto da decisão, ou seja, embargos POR ele, ou EM DEFESA dele."

Não bastasse a feiura em dobro na tela, o pé da imagem mostra mais repetição (de verbo, porque deve dar preguiça procurar outro, sei lá).

No JB, o subtítulo de "Edson Fachin concede prisão domiciliar a Paulo Maluf" é o seguinte:

"Em decisão monocrática, relator permite com que deputado afastado permaneça em casa".

Duvido que alguma gramática PERMITA UM disparate desses!  Como profissionais SE PERMITEM fazer coisas assim com o idioma?

segunda-feira, 16 de abril de 2018

O que não é e já foi




Quando voltei pra casa, há pouco, já estava corrigida (no Globo online) outra bobagem enviada pela assídua colaboradora hoje cedo.

Posto para mostrar como o tempo do verbo é mais que importante.

E, também, para confessar minha ignorância.

Alguém aí já ouviu esse uso da palavra "hóstia"? De que época é a gíria?

Como comentei com a amiga, o mais próximo que conheço é o xingamento espanhol "a la ostia" — algo como "no óstio", em tradução livre.

E mais não digo, porque não pega bem.

Tem ou não tem?

Ontem, no Globo impresso, a assídua colaboradora encontrou reprodução de fala de um certo candidato raivoso e homofóbico (pra dizer o mínimo), em que havia uma frase assim:

"São pessoas (...) que tem página, entendeu?" (sic)

Não, não entendemos a falta do acento circunflexo, necessário no plural: "a pessoa TEM" e "as pessoas TÊM", OK?

Hoje, no Ancelmo, ela achou uma Piaf com acento em "Édith".

Aí, lasquei-me. Fui pesquisar e e encontrei as duas grafias, a que desconhecíamos e a mais comum, Edith Piaf.

Como é nome próprio e francês, não vou afirmar que há erro. Mas estranhei.

sábado, 14 de abril de 2018

Nem sempre 'ter' é 'possuir'

Não basta deixar o cliente sem sinal; tem que esculhambar a justificativa também.

Este parece ser o lema da NET, que me deixou sem TV, internet e telefone desde ontem.

Além de publicar no site um textículo horroroso, com repetição de "problema", acento virado ao contrário e o escambau, informa que eu "não possuo" visita técnica agendada.

Não "possuo" mesmo!

Onde já se viu alguém "possuir" um agendamento?

Ou "possuir" uma visita? (pega até mal, gente!)

Espero que também não estejam sugerindo que eu "possua" o técnico.

Rapidamente (porque esse trem não está confiável), pergunto: o que a empresa TEM (e não "possui") contra o lindo, simples, direto e claro verbo "TER"?

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Mais informação, menos repetição

Figurinha fácil neste blog, a coluna do Ancelmo me saiu com mais uma agorinha.

A nota não contém erro, mas não flui, não informa o leitor e não se decide entre minúsculas e maiúsculas ao falar da lei:

"O STF decidiu hoje, por unanimidade, que a lei de cotas deve ser aplicada também nos concursos públicos promovidos pelas Forças Armadas. Trata-se da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 41, em defesa da Lei Federal 12.990/2014, a chamada Lei de Cotas, que reserva 20% das vagas para cotas". (sic)

Abaixo disso, há mais dois parágrafos com a expressão "LEI DE COTAS", sem que se explique o básico: das ditas "minorias", quais serão beneficiadas?

Em vez de fechar o primeiro trecho com o feioso repeteco, que tal "20% das vagas para negros, pardos, indígenas, deficientes" e quem mais aí se incluir?

Padrão Globo de Regência

É difícil engrenar a leitura do jornal quando, de cara, a gente encontra um "alívio A Fulano".

Se desejam inventar uma língua, sugiro aos responsáveis pelo Grupo Globo que criem um Curso de Novíssimas Regências — gratuito, é claro, para atrair público.

Procurem nos dicionários, procurem na internet.

Depois me contem se acharam o tal "alívio A", que, por inexistente, jamais dará fôlego a quem quer que seja.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Aqui (ainda) se fala Português

Sei que muita gente tem ódio mortal da crase, mas não dá para, simplesmente, ignorá-la.

Pelo menos, não até inventarem mais uma reforma pro nosso pobre idioma, que parece estar a cargo de estilistas e decoradores, desses que inventam uma nova moda a cada estação.

Como observou (e registrou) o atento amigo, o acento "alcançou absoluta inexpressividade e insignificância" no 8º Fórum Mundial da Água.

A ausência dele estaria correta, por exemplo, em "junte-se a revolução com duas colheres de bom senso e uma pitada de consciência e começaremos a ter uma receita para não desperdiçar os recursos hídricos".

Abaixo da frase em Português, é possível ler o Inglês escorreito.

Esqueça a língua da rainha, pense no masculino e repita: "junte-se AO Canadá", "junte-se AO Reino Unido", "junte-se À Inglaterra"... Ficou claro?