quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O valor da coerência

O problema de a nossa imprensa não cuidar mais do que publica não está apenas nos erros de Português, mas também na falta de clareza e no uso inadequado de alguns vocábulos.

Basta o entrevistado falar qualquer bobagem que o repórter reproduz e o editor não questiona — justamente numa época em que pesquisar ficou tão fácil!

A assídua colaboradora encontrou exemplo disso no Globo online, em matéria sobre o verão infernal do Rio (desculpem o pleonasmo).

Copiar o jargão da meteorologista deu na seguinte tolice:

"Para quem fica no sol, a sensação pode ficar um pouco maior do que esse valor (...)".

É forçar muito a barra usar a palavra "VALOR" pra descrever sensação térmica, não é, não? E o "fica ficar" só confirma a grave crise de preguicite aguda. Custa dar um clique e abrir o verbete?

Um caso de dubiedade é "Botafogo só empata na estreia".

 O título, do Globo impresso, foi enviado pelo atento amigo, que pergunta:

"Se o time só empata na estreia, nas outras partidas deve ganhar ou perder, certo?"

Quem deixou passar essa merece a ironia.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Pão-durismo inexplicável

A gente sabe que Globo e Facebook são negócios lucrativos.

E esta é apenas uma das razões pelas quais a assídua colaboradora e eu não entendemos por que essas empresas são tão sovinas na hora de contratar redatores, revisores e que tais.

Na rede social, a amiga não aguenta mais ler que alguém "comentou SOBRE" a foto que ela compartilhou, "comentou SOBRE" um link etc.

Funcionários do Sr. Zuckerberg no Brasil, aprendam: a gente COMENTA ALGUMA COISA, COMENTA UM LINK, COMENTA UMA FOTO, sem se debruçar ou deitar em cima de ninguém, OK?

No jornal online, hoje me saíram com um "MENOS DE um mês para o carnaval, prefeitura divulga (...)". 

Como no site o título pode ser gigantesco, parece coisa de quem ficou na dúvida se usava o verbo haver ou a preposição.

Esqueceu que "" um mês é passado e "A" um mês é futuro? Tasca um "Faltando menos de (...)". Assim, não tem erro.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Pode piorar, eu garanto


Como tudo que está ruim pode ficar ainda pior, O Globo resolveu brincar com o título do novo espetáculo do Cirque du Soleil.

Resultado do "malabarismo": a grafia incorreta — com "M" no lugar do "N" de "Amaluna" — foi parar no alto da matéria.

É muito relaxamento, viu?

O apanhador no campo de...

Ontem, pelo visto, ninguém estava muito a fim de trabalhar no Globo.

A preguiça atingiu várias editorias — e as besteiras que ela gerou foram generosamente pescadas e enviadas pela assídua colaboradora.

No Morar Bem — que deve ter sofrido com a modorra de outro dia, pois suplementos são fechados com antecedência —, a dica para reduzir a conta de luz é um espanto!

A pessoa encurta o banho e... ECONOMIZA R$ 20 A MENOS! Ou seja, podia economizar muito mais, porém, do jeitinho sugerido pelo jornal, economiza menos.

No Ancelmo, a turma que manda beijos e abraços com XOXO no fim do texto deve achar que é assim que se grafa CHOCHO, adjetivo de muitos significados, como "choco", "murcho" e outros que não exigem o "CH".

Na página 25, criaram uma "assumidade", provavelmente uma SUMIDADE QUE ASSUME coisas impensáveis — tais como um boca a boca com hífen, que não existia sequer na era pré-(des)acordo ortográfico.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Larga a bengala, pessoal!

Fico muito incomodada com a indigência do jornalismo atual.

Um dos seus tristes exemplos é o abuso do "após", como se fosse raríssimo uma coisa acontecer depois da outra.

Sintam o nível do "fenômeno" no apanhado que eu fiz, agorinha, na primeira página do Globo online. É de doer!

Segura a intimidade!

Mal acordei, já dei boa gargalhada com a novidade que a assídua colaboradora encontrou hoje, em entrevista com o Washington Olivetto.

Criaram uma imagem na qual eu nunca havia pensado: a "evasão de intimidade"!

Ingenuamente, sempre achei que a gente se preocupava com a EVASÃO escolar — ou de presídios etc. — e com a INVASÃO da privacidade, mas O Globo me mostrou que a intimidade, essa danada, é cheia de subterfúgios e pode escapar a qualquer momento.

Vivendo e aprendendo.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Já houve quem soubesse

A assídua colaboradora encontrou hoje, no Ancelmo, coisas que meu pai talvez chamasse de abracadabrantes.

Em "Adão e Eva na folia", criaram o "colã"!

Pois é, assim mesmo, acreditem: "cola" com til.

Como certas traduções comentadas aqui, o absurdo é típico de quem não conhece o idioma e ainda tem preguiça de abrir o dicionário — como esse Houaiss aí da imagem, em que se vê a grafia correta, mais que aceita: COLLANT, comme il faut.

Em "Filme tenso", encerraram o texto com a seguinte frase:

"Teve quem recebeu cobrança de R$ 1 milhão".

Aprender a usar o pretérito imperfeito do subjuntivo (houve quem RECEBESSE) é tarefa um pouco mais complexa do que consultar um dicionário, mas a abertura da minha nota já dá uma pista, com TALVEZ CHAMASSE.

Se todos prestássemos atenção às aulas de Português, o jornalismo iria muito bem, obrigado.