terça-feira, 27 de junho de 2017

Depois de uma coisa vem outra


Falei em regência e me lembrei de duas "gracinhas" que o atento amigo mandou ontem, quando o sinal da Net oscilava.

Vejam na imagem a coisa feia que é "debater sobre" alguma coisa (eu sempre imagino os debatedores subindo na mesa ou se engalfinhando e rolando no palco).

Acima, há mais um exemplo de como fazer um título horroroso e usar um maldito "após" que nada acrescenta à informação.

Nos criativos tempos do "cachorro fez mal à moça", esse celular poderia render um título antológico.

PS: não seria "a bala" que ficou retida?

Regência falsa. À la Globo

O Globo se supera a cada dia.

Hoje, uma querida amiga leu a seguinte pérola:
"(...) o piloto, chamado (Fulano de Tal), afirmou que criou um plano de voo falso à Força Aérea Brasileira (FAB)".

Com essa regência esdrúxula, o jornal informa que é praxe a instituição criar planos falsos de voo, tanto que eles já são conhecidos como "planos à moda da casa", ou "à (la) FAB".

Era essa a intenção, colegas?

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Peço a sua atenção, por favor



Ontem, cheguei exausta e decidi guardar pra hoje duas colaborações do atentíssimo amigo.

Uma é a triste adesão da coluna do Ancelmo à inexistente regência "pedir 'para que' (isso ou aquilo)", achada na nota "Eu entendo".

Para de inventar moda horrorosa, pessoal!

A gente pede alguma coisa a alguém ou pede por uma pessoa, por uma categoria, ou seja, em nome dela. E estamos conversados.

No outro caso, em que há uma sucessão de palavras repetidas (a começar pelo "suspeito", como o Globo chama até mesmo terroristas presos em flagrante, julgados e condenados), encontra-se a praga do "após", aqui em sua forma menos usada: "DEPOIS".

É igualmente imbecil, pois, obviamente, os policiais não teriam motivo para matar o cara ANTES da explosão, não é?

Informação jornalística:

"Polícia matou o autor da explosão". Ponto.

Apertem os cintos...


Estou às gargalhadas com esta que o atento amigo mandou há pouco.

Ele pergunta:

"Onde teria ido parar a embaixada?"

Cartas para a redação (do Globo, é claro).

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Benefício zero

Os colegas da publicidade também estão desatentos.

Terão sido contaminados pelo desleixo do jornal carioca em que publicaram esta pérola no fim de semana?

Leitura aos tropeços

Ler o Globo é tropeçar em bobagens o tempo inteiro.

Hoje, a assídua colaboradora encontrou legenda (em matéria sobre o Pitanguy Jr.) com a frase:
"(...) advogado diz que acidente não foi intencional".

Acho que se trata de um pleonasmo, não? Acidentes não são acontecimentos fortuitos, inesperados?

Já o atento amigo não aguenta mais ver o advérbio de lugar "ONDE" sendo usado erroneamente, como na reportagem da morte de um casal de forrozeiros:

"(...) foi vocalista da Banda Cavaleiros do Forró, onde permaneceu de (...)".

Ou seja, transformaram grupo musical em local.

Mais atenção, colegas!

domingo, 18 de junho de 2017

Aprenda antes de usar

O Globo parece ter vocação para transformar tragédia em galhofa, tal o descaso que dedica aos seus títulos.

Vejam este:

"Incêndio florestal em Portugal deixa ao menos 61 mortos".

O que é isso, pessoal?! "Ao menos 61"?!?

A incompetência pra lidar com números é absurda.

Outro dia, em Gente Boba, o atento amigo também encontrou "mais de 25 longas entraram no circuito (...)".

Sua pergunta:

"'Mais de 25' significa o quê? 26?"

Não sabe onde cabem expressões como "ao menos", "cerca de", "mais de", "em torno de" etc.? 

Por favor, não use. Ou leia antes o "manual de instruções".

Os leitores agradecem.

Vale a pena estudar e pensar


Vi um belo filme na HBO, "Sono de inverno", e fui obrigada a pôr a legenda, pois não entendo uma palavra de turco.

Por algum motivo, os tradutores acham que "vale a pena" tem crase.

Não tem.

Busque um similar para a expressão, que aparece errada mais de uma vez.

Alguém diz "vale 'ao' sacrifício" ou "vale 'ao' esforço"? Não!

Então, por que valeria "à" pena?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Para aproveitar o ensejo

Falando em crases deslocadas, o atento amigo leu Gente Boba na quarta-feira, encontrou esta e pergunta:

"Serão pratos de madeira?"

Textos censurados


Acabo de receber e-mail com ofertas da Net.

Em primeiro lugar, eu gostaria mesmo é de poder contar com um sinal estável de internet e TV.

Em segundo, só assisto A UMA seleção de filmes sem crase.

O controle gramatical aqui de casa é rígido com a censura ao mau Português.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Quando o furo é uma furada

Acabo de receber chamada do Globo a respeito de um incêndio em Londres.

A notícia é trágica e merece ser tratada com respeito, não com este subtítulo:

"Várias pessoas foram atendidas por ferimentos diversos".

Várias, diversos... Não basta dar manchete, pessoas, é preciso informar.

E as vítimas ficariam melhor se fossem atendidas por bombeiros, paramédicos etc. Não por ferimentos.

Será que estou muito exigente?

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O peixe é pro fundo das redes

Pensei que hoje ia dar trégua ao Globo, mas o atento amigo encontrou uma coisa estranha no Ancelmo.

Os colegas da coluna continuam com pavor de "pra" e "pro" — mesmo quando citam "Segredo", de Herivelto Martins, que os tem aos montes —, mas me saem com uma nota intitulada "Na bulé do caminhão".

Coerência é coisa que anda em falta por aqui, viu?

O texto não é uma 'brastemp'

Quase caí dura ao ler a primeira frase de uma sinopse na rede Telecine:

"Uma floresta possui vários casos de morte (..)".

Caramba!

Será que ela possui de papel passado e tudo, gente?!

O filme é nacional, mas quem escreveu, obviamente, desconhece o Português.

É o caso, também, da Brastemp, subsidiária brasileira da Whirlpool.

O atento amigo acha absurdo a empresa não pagar um bom redator para corrigir seu site, onde o cliente encontra a pergunta:

"Qual é o tipo de produto que você precisa de assistência?"

Não gosta de usar "para o qual"? Que tal inverter e fazer uma coisa decente como "Você precisa de assistência para que tipo de produto"?

Se não sabe (ou não quer) falar o idioma local, não põe o país no nome, bolas! (pra quem não sabe, Brastemp é redução de Brasil Temperatura.)

sábado, 10 de junho de 2017

Caneca meio cheia ou meio vazia?

Quase uma semana depois, o atento amigo leu o Segundo Caderno do último domingo e encontrou, em destaque:

"(...) quero lembrar uma efeméride que passou batida (...)".

Gente, eu passei BATIDO pelo erro!

Adjetivos que entram na frase como advérbio não aceitam concordância, pessoal. Não há feminino, não há plural.

Eles podem, por exemplo, chegar suave e lentamente e sair rápido (rapidamente), mas não flexionam.

Agora, com licença. Como eu ainda estou MEIO sonolenta, vou ali tomar MEIA xícara de café e volto já.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Título tenso...

Rir numa hora dessas?

Só mesmo com o Globo, em matéria lida na Suécia, acreditem!

Este blog também recebe colaboração internacional. Muito chique.

Nem preciso comentar o "após" e o "durante", né?

Caça-palavras e cassação

Entre uma e outra troca de ideias (como o que usar no lugar do feioso neologismo "favoritar": preferir, definir, eleger, escolher, selecionar?), o atento amigo e eu concordamos que a resistência do Globo com o "PRA" ultrapassou os limites do ridículo.

Hoje, ele encontrou na capa do jornal "o mar está PARA peixe", quando todos sabemos que a expressão é "o mar está PRA peixe".

Enquanto os editores se preocupam essas tolices, deixam de olhar para frases como esta aqui:

"É preciso moderar a sanha caçadora, porque você coloca em jogo o valor do mandato (...)".

O amigo e eu aprendemos que mandatos são CASSADOS.

Então, devia ser a sanha CASSADORA, não?

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Qual será o motivo?

Será que algum dia os colegas conseguirão escrever e titular matérias sem os malditos "após", "durante" etc.?

Que mania horrorosa!

Agora mesmo vi no Globo o título:

"Bebês são removidos de UTI neonatal após princípio de incêndio em hospital de SP".

Eles só foram retirados do local "DEPOIS" que apagaram o fogo?!?

Acho que queriam dizer que a remoção se deu POR CAUSA do incêndio, mas a lei de CAUSA e efeito, de que Newton tanto gostava, é coisa que ninguém mais conhece.

"CAUSA" virou "conta" e ficou por isso mesmo.

A vergonha é tanta que...

Não é só na versão online que O Globo tem feito misérias com o idioma.

O atento amigo mandou a foto da nota "Biruta", encontrada na página 2 do jornal. Diz lá:

"O dilema dos tucanos entre ficar ou deixar o governo temer é tanto que (...)".

O dilema é tanto?!? Como assim?!?

É fácil perceber que o advérbio não cabe aí, como cabe em "o desejo era tanto", por exemplo.

Dilema não se mede assim, certo?

Pra melhorar um pouquinho mais a esdrúxula frase, a autora também podia ter usado "apoiar ou deixar o governo".

"Ficar" pede a preposição "em": "ficar NO governo".

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Confusões imperdoáveis

As maravilhas (no Globo) não cessam!

Ontem, o atento amigo foi ler o novo colunista de Economia e achou a pérola:


"(...) embalagens de tamanhos diferentes? Isso é muito comum na SESSÃO de produtos de limpeza e higiene". (sic, com destaque meu.)

Hoje, uma amiga leu no Ancelmo que Henrique Alves "é de uma tradicional família política capixaba" e estranhou:

"Capixaba do Rio Grande do Norte?!?"

Já a chamada da primeira página a respeito do incêndio em um teatro no Shopping da Gávea fez outro amigo dar tratos à bola:

"Diz lá que 'o shopping fechou após o fogo'. Então, funcionou normalmente durante o incêndio?", ele pergunta.

Cartas para a redação (do jornal, obviamente).

domingo, 4 de junho de 2017

Fragmentos do discurso horroroso

Definitivamente, os editores estão se lixando pros textos que publicam no Globo.

Achou um horror a primeira reportagem dos atentados em Londres? Pois o descaso com o idioma continua.

Vejam só um pedacinho do que está hoje no jornal.

Além da repetição de verbo, do uso incorreto dos pronomes demonstrativos etc. etc., temos um ridículo "por volta das 22h08" (!) e a inexplicável frase:

"(...) subiu para sete o número de mortos dos atentados, o que, portanto, pode aumentar" (!!!).

Entendeu? Nem eu.

sábado, 3 de junho de 2017

Não dá pra entender mesmo!

Gente, confesso que não sei explicar o que ocorre neste texto do Globo.

Só lendo pra acreditar que publicaram essa coisa, que já começa com "três incidentes" que são "um caso de faca e veículo"!


Acho que nem Conan Doyle imaginaria a polícia britânica envolvida em tanta confusão, um verdadeiro samba do jornalista doido (talvez com uma solução de 7% nas ideias?!?) que mesmo o inteligentíssimo Sherlock jamais conseguiria destrinchar.

Ah, sim, quase me esqueço de comentar o "ao menos 19 pessoas" lá do alto. Tá feia a coisa, viu?

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Cuidem do que importa, por favor

Cinco dias atrás, comentei aqui o prurido tolo do Globo, que publica palavrão com todas as letras e comete erros primários de Português, mas morre de medo do PRApra lá de dicionarizado, aliás.

Pois hoje a amiga revisora encontrou nota na coluna de TV, em que, logo depois de um PARA, aparece um "PRA" aspeado!

A preposição não é estrangeira, não é gíria, não é nenhum bicho de sete cabeças.

Então, por que as aspas, gente?

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Freio na tautologia, pessoal!

O Globo receberá em breve o "Prêmio Troféu Pleonasmo de Ouro Dourado".

Nos últimos dias, já tinham sido encontrados "contracenar junto" e "assintomático sem sintomas".

Hoje, a assídua colaboradora achou um baita "Há muito tempo atrás", em título — e na editoria que leva o nome de Cultura!

Pensem, colegas: não dá pra ser "há muito tempo adiante", não é?

Então, escolham: o verbo ou o advérbio. Nunca os dois.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Descendo a ladeira



O Globo é de um ridículo atroz.

Ontem, como viu um colaborador, na editoria de Esportes, reproduziu a fala de um entrevistado e abriu aprênteses para "explicar":

"O atleta se encontra sem dor, assintomático (sem sintomas) e vai iniciar (...)".

Será que o repórter teve que descobrir o que é "assintomático" e decidiu contar pra todo mundo, acreditando que ninguém mais sabia? 

Também não custa perguntar: por que "se encontra"? Não é melhor "ESTÁ sem dor"?

Isso tudo acaba sendo quase nada num jornal que publica palavrão, comete erros horrorosos de regência, concordância etc, mas tem prurido com o informal "PRA", pra lá de dicionarizado.

Hoje, a primeira manchete é:

"Para começo de conversa: Base aliada (...)".

 Não faz sentido! A expressão é "PRA COMEÇO de conversa", gente!

terça-feira, 23 de maio de 2017

A tautologia volta a atacar


Gente Boba ressuscitou um pleonasmo que eu julgava morto e enterrado: o tal do "contracenar junto".

Vejam aí o que o atento amigo achou na coluna, folheando os jornais do fim de semana.

Pessoal, "contracenar" já indica que o ator não está sozinho em cena, fazendo um monólogo, OK?

Fulana CONTRACENA COM Beltrana. E ponto final.

domingo, 21 de maio de 2017

Semana conturbada

Com tanta notícia ruim no país, fiquei até sem ânimo para postar notas aqui.

Colaborações, porém, não faltaram — e todas vieram do Globo, o jornal que torna complicada até a transição da assinatura do impresso para a versão digital.

O atento amigo leu na primeira página, dia desses:

"Anvisa reconhece Cannabis sativa".

Ele (como eu) acredita que queriam dizer "O CANABIDIOL", principio ativo da planta que muitos acreditam ter aplicação apenas recreativa, apesar das muitas provas em contrário.

A assídua colaboradora enviou outras, mas vou ficar com a de hoje, encontrada no Ancelmo:

"(...) é tão grande que, na família, houve quem chegou a pensar em pedir a interdição (...)". 

Caramba! Quatro verbos seguidos?!? E com pretérito perfeito ("chegou") em vez de imperfeito ("chegasse")?

Que tal simplificar? Um opção é "HOUVE QUEM PENSASSE em interdição".

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Em que país estamos?


O atento amigo deu de cara com o título e duvidou que estivesse no Brasil:

"Grávida de 39 semanas foi levada pela PF (...)".

Com razão — e com humor — ele diz:

"Foi como se eu estivesse lendo em Inglês. Tenho que fazer conta pra saber, na nossa cultura, quantos meses representam as 39 semanas e meia de amor pra dar."

Só falta o Globo começar a calcular a altura das pessoas em polegadas, temperatura em Fahrenheit etc.

domingo, 14 de maio de 2017

Não tem ao vivo? Vai de virtual


Caros colegas do Globo, não há crase em "face a face" — ou em "cara a cara", "frente a frente" etc.

Para confirmar, basta usar expressão masculina similar, como "lado a lado" (viram algum artigo aí ou só a preposição?).

Na falta de revisores de carne e osso, recomenda-se o uso de um corretor digital.

O jabazão em que se transformou o jornal deve dar pagar ao menos isso. Ou não?

PS pra galera do Ancelmo: também NÃO há crase em "presidir a ABL" e "dia 24 (vírgula) agora (vírgula)" é o...

Uma coisa 'após depois' da outra

A assídua colaboradora me enviou essa coisa aí do Globo, que eu nem sei como classificar.

Afinal, não bastasse o desnecessário "após" — sem o qual os colegas não sabem mais viver — seguido de um "depois" (!!!), cadê a notícia? Alguém sabe dizer?

Ninguém conseguiu pensar uma pauta decente pro Dia das Mães? A moça do título é parente de algum editor do jornal? Ou este assumiu sua porção "Caras" com força total?

A continuar assim, concluo a transição pra versão digital (que deve começar a vigorar em uma semana) e não demoro muito a mandar a assinatura pro espaço de vez — ou "em definitivo", outro modismo ridículo muito apreciado, especialmente por certos colegas da TV.

Só pra lembrar: "após depois" do Dia das Mães vem o Dia dos Pais. Comecem já a bolar algo melhorzinho, por favor.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Repórter 'viajandão'

Depois de um dia agradabilíssimo, dei mais uma sonora gargalhada ao abrir a seguinte mensagem do atento amigo:

"Repórter da Globonews subiu numa sacada pra fugir de hostilidades. Lá de cima, disse que agora tinha imagens aéreas...".

Preciso acrescentar alguma coisa?

terça-feira, 9 de maio de 2017

Quero ver de costas!

Tinha que ser a Globonews!

Conta-me o atento amigo que uma peça institucional da emissora vem enchendo a tela da TV com o seguinte slogan:

"Se o mundo mudou, encare de frente".

Os colegas do canal acham que mudou também a anatomia humana ou simplesmente desconhecem o que é tautologia?

sábado, 6 de maio de 2017

São tantos escorregões...

Difícil começar uma nota com tantas coisas "lindas" que recebi hoje.

A assídua colaboradora constatou que, no Globo, ninguém chega mais A lugar algum: "chega no", ou seja, chega mal pra burro! (hoje, naquela editoria genérica, a tal de "Sociedade".)

O atento amigo achou outras derrapadas feias.

Uma estava destacada em subtítulo:

"Fissura põem em risco uma das maiores plataformas (...)".

A fissura "fazem" o quê?!?

Na página 2, alguém "pediu para que Zico autografasse (...)".

Não faça isso com meu ídolo, por favor! Pede o autógrafo e joga o "para que" no lixo, que é o lugar dele (antigamente, na redação, dizíamos "vai pra cesta página").

Tem mais.

O amigo ouviu o Datena reclamar que a Justiça está soltando "bandidos de altas periculosidades" — dei altas gargalhadas ao ler esse plural.

E "APÓS" tanta besteira, a "cereja do bolo", enviada por um novíssimo colaborador:

"APÓS morte de passageira, motociclista TAMBÉM MORRE em Goiânia".

Caramba!

Ainda vou abrir a matéria pra ver quantos outros "após" e "depois" sem sentido eu encontro lá dentro.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Preze sua ferramenta de trabalho

Definitivamente, o ensino de regência verbal e nominal desapareceu das aulas de Português — e o domínio do idioma há muito não é exigido dos colegas.

Só isso justifica a festa de erros nos jornais — e não só nos veículos online, em que jogam qualquer coisa e corrigem aos poucos (se alguém reclamar!).

Hoje, a assídua colaboradora me mandou um baita título com um "chegou em Brasília" de doer.

Recomenda-se que as pessoas cheguem a Brasília, ao Rio, a qualquer lugar (mesmo que não seja o de sua preferência),

Já o atento amigo encontrou esta semana, no Globo, "assista o vídeo do depoimento de (Fulano) a (Beltrano)" e ficou preocupado com a saúde do pobrezinho.

Não custa lembrar: um médico pode assistir um doente, mas, na hora do lazer, ele assiste à TV, a um filme, ao futebol etc. etc.

Outra que o amigo está vendo com frequência é o tal do "prezamos pela".

Não prezamos por coisa alguma!

Devemos prezar a língua pátria, meus amigos prezam o sossego, entre outras coisas, e eu prezo neles a generosidade de colaborar com este blog.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Cerca de mil, às 17h49


O atento amigo comprovou que o rádio está ensinando bobagem para os ouvintes.

De um deles, começou a ouvir coisas como "por volta das 12h15", "cerca de 17 bandidos", "umas 56 pessoas compareceram"....

Queridos colegas, de todos os veículos: "cerca", "por volta de", "em torno de", "uns", "mais ou menos", "aproximadamente" e outras expressões do gênero são usadas apenas com números redondos, OK?

Na dúvida, pense em esportes olímpicos, em que cada fração de segundo faz diferença e o número de competidores tem que ser exatinho pra cada modalidade.

No mais, informo que cerca de 400 pessoas leem minhas postagens, esta aqui foi escrita em torno de quatro da tarde e eu voltarei ao computador às 18h37, porque funciono em horário de trem britânico. Combinado?

domingo, 30 de abril de 2017

Não faz sentido? Apaga!

O momento é triste, Belchior morreu, mas o G1 consegue transformar tragédia em piada.

Vejam só o que a assídua colaboradora me enviou há pouco.

"Nada indicou qualquer coisa" quer dizer... nada, redator!

Nesses casos, a gente copidesca ou elimina o comentário.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

É 'Globo' ou é 'Globinho'?

Só hoje vi a colaboração que o atento amigo enviou na segunda-feira, pelo whatsapp (dá pra notar que eu quase não uso o aplicativo?).

Diz o texto do Globo:

"Ele estava em um estabelecimento da região quando um homem que passava dentro de um carro abriu fogo contra o policial e duas outras pessoas".

Comentário do amigo:

"Tô tentando imaginar como seria passar fora do carro...".

Pois é. Parece texto de criança recém-alfabetizada, não de jornalista.

Também não custa perguntar: se "ele" e "o policial" são a mesma pessoa, que construção é essa?

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O código secreto do Google

Inexplicável.

O Google disse que ia mudar a aparência da página inicial do gmail, para torná-la mais prática, mais bonita etc. etc.

Ficou uma coisa horrorosa e sem graça que, além de tudo, pede ao usuário uma "palavra-passe" (sic).

Pessoal, PASSWORD é Inglês.

Em Português do Brasil, a gente usa SENHA, tá?

terça-feira, 25 de abril de 2017

Até tu, Comunique-se?!

A praga do "após" chegou ao Portal Comunique-se, dedicado aos jornalistas.

Em matéria de ontem, em que também achei um "informou sobre", o atento amigo encontrou, logo de cara, as desnecessárias informações de que um homem morreu "após" levar vários tiros e "depois de" ser operado.

Brinquei com ele que ia deixar pra fazer hoje a nota, "após" uma boa noite de sono e "após" acordar.

Ao que o amigo retrucou, também brincalhão:

"Após dormir, você acorda?"

Pois é. A gente ri pra não chorar.

PS: para os colegas que têm preguiça de consultar dicionário e ignoram solenemente as regências, reproduzo abaixo o verbete "informar" do Houaiss, em forma de comentário.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Cultura nas trevas é isso aí

O atento amigo encontrou essa coisa no Globo (vide imagem) e me enviou, exaurido.

A nota horrorosamente escrita sugou-lhe as energias (entenderam que aqui dá pra ser plural, colegas?).

Começa com uma zona que poderia ser melhorada com o uso do ponto e vírgula, feito exatamente para esses casos:

"Teatro Tal, não sei onde; Teatro Aquele, logo ali; Teatro Outro, em Caixa Prego; etc. etc. etc.".

Em seguida, informa que os pobres teatros "tiveram as energias cortadas"!

Quantas energias há nesses lugares, meus deuses?

Eólica, elétrica e solar? Mais alguma?

É de cortar os pulsos, viu?

Nunca um título foi tão adequado ao Português que se pratica hoje no jornal.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O que acontece nas redações?

Dia desses, li no Globo:

"Após crise, presidente (...)".

Deu vontade de ligar pra lá e perguntar: 

"Qual delas, senhoras e senhores?"

Em seguida, recebi esta do atento amigo:

"Após buscas, bombeiros encontram corpo de primo de (...)".

Resumo do comentário indignado enviado com o infeliz modismo:

"Se não houvesse buscas, teriam encontrado o corpo? Pra que esse 'após'?"

Pois eu abri o navegador do Windows, que exibe as "principais notícias", e dei de cara com mais um "após" imbecil:

"Após melhora, (pessoa) deixa a UTI".

Por que os colegas não sabem mais escrever sem cortar as irrelevâncias? Qual é o sentido dessa "informação"?

Aproveito pra perguntar o que são essas duas regências encontradas na mesma página: "transferido a outro hospital" e "apoiar a tratar".

Achei que a gente fosse transferido PARA algum lugar e apoiasse alguém, alguma causa... e até SE apoiasse SOBRE qualquer coisa, só pra usar uma preposição amada pelos praticantes do "novíssimo jornalismo".

sábado, 15 de abril de 2017

O canto do cisne

Caro editor da primeira página do Globo,
"faz alerta sobre" é de doer!

Não há mais dicionários na redação? O jornal gastou tudo que tinha na tal revolução digital?

Acho que vocês estão trabalhando até sem aquele corretorzinho básico do Word, que assinala em vermelho erros simples (só para citar um exemplo, hoje tem singular "concordando" com plural em título de nota de Gente Boba).

A pouca concorrência, a pressa e a economia porca, entre outras coisas, estão fazendo muito mal à imprensa carioca.

Uma lástima.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Mistérios insondáveis

A nota de Gente Boba se chama "O mistério continua...".

Aponta erro em nome de papa polonês, diz que "gematria" (palavra também grafada como "gemátria" no Houaiss) se pronuncia "guemátria" (?)...

Enfim, corrige o texto alheio, mas não as próprias bobagens.

Vejam este exemplo:

"(...) é a arte cabalística de extrair valores numéricos as letras hebraicas e, assim, chegar à conhecimentos profundos". (sic)

Na primeira parte, acho que queriam dizer "extrair valores DAS letras".

O caso da crase vergonhosa, porém, só se resolve com aulas de Português.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O álcool faz mal à escrita

O amigo anglófilo, como eu, sabe que na terra de Sua Majestade as pessoas gostam de cerveja, uísque etc.

Também como eu, acha BOA a recomendação: se for escrever, não beba.

O MAU Português que ele encontrou na BBC Earth só pode ser coisa de quem não estava BEM das ideias.

sábado, 8 de abril de 2017

Receita indigesta e singular

Voltando ao jardim de infância: "um caipira, dois caipiras"; "um ovo amarelinho, dois ovos amarelinhos" etc. etc., OK?

A assídua colaboradora descobriu, em título e texto, que o Globo também desaprendeu o plural.

Do jeito que está, a receita desanda, pessoal.

Detenha (e retenha) o poder

A assídua colaboradora encontrou mais um grave indício de que o jardim de infância se instalou na redação do Globo, como desconfia o atento amigo.

Afinal, o que mais justificaria o desconhecimento absoluto dos verbos "ter", "reter", "deter" etc.?

"TEU", amiguinhos, é um pronome possessivo.

Da mesma forma que não existe na conjugação do verbo TER, não entra na do verbo DETER.

Bora voltar à escola e repetir cem vezes o pretérito perfeito: 

eu detive, tu detiveste, a polícia DETEVE...

quinta-feira, 6 de abril de 2017

À moda da 'Veja'


É duro abrir o navegador da Microsoft e dar de cara com um baita erro da Veja.com.

"À" triplex, colegas? Com crase? Sério?!?


"Visita à triplex" é algum novo prato? Onde é servido?

Tem "à la duplex" também?

terça-feira, 4 de abril de 2017

O livro está sobre a mesa

Há poucos dias, reclamávamos, a assídua colaboradora e eu, do "decidir sobre", que deve ser evitado, por horroroso, ainda que a regra admita seu uso.

Pois hoje eu recebi coisa muito pior, encontrada pelo atento amigo no Globo de domingo — e igualmente destacada em título!

O editor, que parece desconhecer a dupla Aurélio e Houaiss, tascou na Internacional, em letras garrafais:

"(...) estudantes e políticos debatem sobre educação e questões nacionais".

Essa moda de enfiar a bendita preposição em tudo parecia ser coisa do passado, mas está voltando com força total.

Fica o conselho:

SOBRE — use com moderação; se for usar, consulte um especialista.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Desleixo vergonhoso

Cheguei do aniversário de uma amigo na madrugada e encontrei o e-mail da assídua colaboradora, comentando uma nota pra lá de mal escrita na coluna do Lauro Jardim.

Aí está a vergonha, sem conserto até agora.

Tem concordância no masculino que devia ser feminina (relativa), tem crase onde não devia, verbo sem acento (está), repetição de "conta" em pequeníssima frase...

Se o leitor procurar bem, é capaz de achar mais erro ainda.

terça-feira, 28 de março de 2017

Não adianta rezar. Tem que estudar

Passei o dia resolvendo mil coisas e, na volta, encontrei colaborações variadas — todas. claro, encontradas no Globo (onde mais?).

Brincadeiras à parte, antes mesmo de eu sair a assídua colaboradora já tinha mandado um baita título com um "decidir sobre".

Até é aceitável pela regra. mas, como ela, implico com o uso. É feio pra burro!

Na página 4, lendo a respeito das horríveis brigas de torcida, um amigo encontrou a frase:

"A prisão temporária de (Fulano, Beltrano etc.) termina hoje, mas pode ser revogada por mais cinco dias".

Revogada por mais tempo?!? Acho que queriam dizer estendida, ou prolongada, né, não?

Pensam que acabou? Pois tem mais!

A querida amiga foi ler entrevista com a simpaticíssima Octavia Spencer (na editoria Cultura, hein?!) e tascaram lá que ela disse que "está à serviço do papel" (no caso, pelo que entendi, do Deus católico, no filme "A cabana").

Sinto muito, mas ela não disse essa bobagem, porque não existe crase em Inglês e, no Português, ela não antecede o masculino (as exceções são "àquilo" e "àquele", quando há preposição).

Nem rezando pra todo o panteão nórdico, greco-romano, africano...

quinta-feira, 23 de março de 2017

É mesmo impressionante!

Na imagem, fizeram uma coisa menos ridícula


As maravilhas não cessam!

Vejam a manchete extraordinária encontrada pelo atento amigo:

"IMPRESSIONANTE

Astronauta tira fotos da Terra a partir do espaço
".

Mui apropriadamente, ele pergunta:

"De onde mais um astronauta tiraria fotos da Terra?"

Tive que rir.