sábado, 19 de agosto de 2017

Mundos, mundos, vastos mundos

A assídua colaboradora encontrou no Globo uma nota pra lá de mal escrita, "Busca desesperada", a respeito de uma criança perdida no atentado em Barcelona.

Vai de coisas como "o furgão SEPAROU ELE (ui!) de sua mãe, quando caminhavam (hã?!)" a "o pai viajou DE SYDNEY para procurar" (não viajou de um lugar a outro, viajou de um lugar, ponto).

Estava aqui fazendo este texto quando recebi mensagem do atento amigo, que, ligado na Globonews, acaba de ouvir o Gabeira, bom conhecedor do Português, repetir o novo cacoete da praça:

"Em vários países do mundo...".

Gente, onde mais os colegas imaginam que há países?!? 

De disparate em disparate...

Leio na página de uma amiga a abertura de matéria do Globo:

"Solange Knowles não vai mais compartilhar seus pensamentos conosco sob a forma de mensagens de 140 caracteres".

Conosco quem, cara pálida?

Da minha xará, só sei que é irmã da Beyoncé (e mesmo desta, sei pouquíssimo).

Os colegas escrevem coisas incríveis atualmente.

Trocam gramas por miligramas no peso de outra coisa com que tenho pouquíssima intimidade: a bola de beisebol (está hoje no Esporte, como leu um colaborador).

Os das assessorias de imprensa são um caso à parte.

Há até quem escreva direitinho — como uma que vende acompanhamento psicológico para quem vive no vermelho, pelo que entendi.

Mas o comunicado dela, enviado para o atento amigo, tem a seguinte chamada:

"Pessoas financeiramente inteligentes usam o dinheiro para realizar sonhos".

O amigo pergunta:

"O que seriam pessoas 'financeiramente inteligentes'?".

Alguém aí sabe responder?

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Vem cá que a 'tia' ensina

Confesso que não entendo o que vem a ser o novíssimo jornalismo.

É relaxado com o texto e, além de erros primários de Português, traz coisas como esta que assídua colaboradora encontrou na capa do Segundo Caderno:

"Estreia de Fulano (...) estreia hoje (...)".

Custava pensar um tiquinho e fazer uma frase menos repetitiva como "Primeiro longa de Fulano estreia hoje"?

O novíssimo jornalismo também não está nem aí pra consistência do que publica, vide as "notícias" do atentado em Barcelona:

"(...) ao menos 13 mortos" (não bastasse a imprecisão, esse "ao menos" é uma escolha horrorosa);
"um dos autores teria sido morto em uma troca de tiros";
"o motorista teria fugido a pé";
"os autores do ataque teriam alugado uma segunda van com o objetivo de fugir após o atropelamento. O jornal espanhol (Tal) disse que a polícia de Barcelona informa que o autor do crime (...)".

Santo telefone sem fio, Batman!

Vai escrever mal e informar nada assim no pré-escolar.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Pavão mais que misterioso

O amigo me enviou matéria do Globo que endeusa Neymar, tem "Capítulo 1" como antetítulo e título em Francês, fala em "reinvenção" do jogador no subtítulo...

Enfim, é uma presepada só, cujo auge está no seguinte parágrafo:

"Aos 22 segundos, na primeira vez em que tocou na bola, o brasileiro lançou do meio de campo para encontrar Di María na grande área, mas o goleiro Johnsson". (sic)

Assim mesmo, ponto final.

Afinal, o que fazia o goleiro Johnsson?

Vai ver o mistério será desvendado no "Capítulo 2" desse folhetim. Eu, hein?

sábado, 12 de agosto de 2017

Erraram o 'alvo'


A péssima campanha de Dia dos Pais da NET começa assim:

"Para aquele que o dever nunca termina".

O que se segue está OK.

São bobagens no mesmo estilo — "para aquele que nunca para", "para aquele que nunca descansa" e outras —, mas não têm erro.

O problema na primeira é que o sujeito do verbo "terminar" é "o dever", não é "o pai" (aquele que...).

Se a galera da publicidade não quer usar "aquele cujo dever nunca termina" ou "aquele para quem o dever etc.", muda a frase.

Só não estropia o Português, por favor.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Zero em coerência e edição

O Globo se esmera, viu?

Tá legal, a festa é punk, inventaram — e não aspearam — um tal de "balzaco" (o substantivo é feminino, tá? Quem leu Balzac sabe por quê), erraram a concordância "dos veterano" (sic), mas o que mais nos intriga (o colega que me enviou esse trem e eu) é: que diabos significa o subtítulo acima?

A frase não faz sentido, não fecha nem por decreto!

A gente sabe que não tem mais revisor no jornal, mas... cadê o editor???

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Uma praga depois da outra

Como eu, o atento amigo não aguenta mais a praga do "após", que já chegou às principais manchetes do Globo impresso.

Ontem estava lá, no alto da primeira página, em letras garrafais:

"Após forte reação, (você sabe quem) recua de alta de imposto".

Custa ser direto, galera?

"Forte reação faz (aquela pessoa) recuar de imposto", por exemplo?

Ninguém se lembra daquela Lei de Newton que diz que "toda ação gera uma reação oposta e de igual intensidade" ou coisa do gênero?

Ninguém sabe que todas as coisas acontecem "antes, durante ou depois" de outras e que jornalista não deve apelar pra firula?

O Português direto, "sem escalas", me fez lembrar de outro achado do amigo, no Submarino:

"afim de viajar barato?" (sic)

Eu estou muito A FIM e, em breve, pretendo ir a Minas, visitar parentes com os quais tenho AFINIDADE além da puramente sanguínea.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O Português na Escandinávia

Outra dúvida que chegou de Copenhague:

"Existe 'campeã' homem?"

Respostas para a redação (do Estadão, de preferência).

Violino ainda desafinado

É, não estão acertando uma com essa história do violino perdido.

Primeiro, O Globo botou o instrumento DENTRO da filha do taxista (está registrado umas duas notas abaixo).

Hoje, diretamente da Dinamarca, recebi a notícia do Extra, com o pertinente comentário:

"Fiquei confuso. Parece que o motorista devolveu o táxi."

Pois é, colegas. Ao contrário de certas operações matemáticas, no Português a ordem dos fatores altera o produto.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O dia da caça e o da cassação

A coisa está feiíssima! No Brasil e no seu jornalismo.

Ontem, o atento amigo enviou foto do seguinte título, encontrado no impresso:

"Sem emprego, mais com trabalho em casa". Ui!

A conjunção adversativa foi substituída por uma "adição" — provavelmente porque a mídia endossa as reformas que acabam com o emprego e forçam o cidadão a se virar na informalidade.

O Globo, pelo que viu outro amigo, gosta tanto de somar que hoje, no Esporte, fez as vagas na Copa América pularem de duas (no subtítulo) para três (no corpo da matéria).

Pensando bem, isso é pinto perto do editorial — sim, EDITORIAL — que diz:

"O TJS da Venezuela tentou caçar a autoridade da Assembleia Nacional". (sic)

Baixou o Hortelino Troca-Letrascom espingarda e tudo!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Dentro da moça havia um violino

Mal cheguei, já encontrei besteira no Globo. Que coisa!

Não bastasse a muleta sem a qual parece que ninguém mais sabe escrever, desta vez ela ainda criou um cacófato brabo:

"APÓS POST" é forte, colegas!

E como é essa história da "filha do taxista ONDE" o cara deixou o instrumento?!?

Já soube de gaze e até tesoura esquecida dentro de paciente em cirurgia.

Mas um violino?!? Socorro!

domingo, 6 de agosto de 2017

Volta pra escola, galera!

Depois de um ótimo episódio de Game of Thrones, vamos às bobagens do Globo.

Ontem, um colega encontrou um "à partir" (sic) com uma crase de partir coração.

Hoje, eu fui ler matéria sobre a queda do técnico do Flamengo e quase caí dura com outra (sem contar com o festival de desnecessários "após", "durante" etc. pelo caminho).

Queridos todos, simplificando a história: existe crase quando há a preposição E o artigo feminino, tá?

Alguém já leu "AO partir do dia tal"? Ou "não resistiu AO mais um fiasco"?

Pois é. Se não há artigo masculino nesses exemplos, por que haveria o feminino em caso similar?

sábado, 5 de agosto de 2017

Morde o Aurélio!

O que têm na cabeça os editores do "maior jornal do país"?

Recebi mensagem de um amigo, indignado com a frase:

"O depoimento do engenheiro da OAS foi antecipado pela TV Globo".

De fato, do jeito que escreveram, dá a impressão de que a emissora é tão poderosa que manda e desmanda na agenda da Justiça.

Pior ainda foi a chamada enviada pelo atento amigo:

"Tumultos e mordida a 'pixuleco' marcam sessão na Câmara".

Não bastasse o jeito chulo de ser, que invenção é essa de "morde A alguém ou morde A alguma coisa"?!?

Caramba!

Mordam A língua antes de falar besteira, mordam OS dedos antes de publicar bobagem, mordam-se de raiva se consideram o Português muito difícil, mas aprendam a escrever, por favor. O leitor agradece!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Estância X Instância

O atento amigo quase caiu do sofá ao ver, na Globonews, o repórter de Brasília mostrar o processo contra você sabe quem num quadro virtual onde se lia:

"(...) corre na primeira estância." Ui!

Já que os colegas da emissora desconhecem o idioma — não sabem sequer usar o advérbio INDEPENDENTEMENTE! — eu explico o termo jurídico:

INSTÂNCIA é "cada um dos juízos hierarquicamente organizados que sucessivamente conhecem da causa e proferem decisão", OK?

Do jeito que escreveram, o amigo sugere que alguma fazendola gaúcha passou a julgar ações de corrupção — e eu vejo nuvens negras sobre a "Estância Brasil".

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Decifra-me ou te devoro

O Brasil vai descendo a ladeira e levando a língua pátria com ele.

O Globo está publicando em capítulos a "novela real britânica", verdadeira comédia de erros com Português de segunda e tradução de quinta (não ponham a culpa no Google, porque ele é capaz de fazer coisa bem melhor, como já demonstrei aqui).

Uma querida amiga (e colega jornalista) tem acompanhado a trama, hoje dedicada ao "marido de 96 anos da rainha" — será que amanhã vão falar dos maridos de 87, 91, 83...?!?

O último trecho em destaque é um primor esfíngico.

Alguém poderia decifrar pra gente, por favor?

Acesso indevido ao idioma

Antes de sair, recebi da assídua colaboradora a chamada sem sentido, reproduzida no cantinho direito da imagem.

Além de fazer "gracinha" no título (o que o peixe tem a ver com o réptil, me explica?), alguém simplesmente extinguiu o pobre tubarão!
Voltei e vi o "textículo" já corrigido, mas ainda sem graça: o bicho acabou "virando almoço".

Como quem procura acha, encontrei também um festival de horrores em matéria de três parágrafos.

Tem dois horários com precisão britânica antecedidos pelo ridículo "por volta de"; "após" em profusão; a "conta" no lugar da "causa", da qual sinto imensas saudades; coisas paradas que "seguem", mas não continuam; e uma frase esquisitíssima, que informa que "uma pessoa acessou indevidamente os trilhos do metrô". Uau!

Tem mais, minha gente. É texto pra ser reescrito do início do fim.
Se alguém quiser, eu refaço — "após acessar minha cama" e "seguir deitada", me recuperando do choque.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

De envergonhar a profissão

Começo a ter vergonha de contar pras pessoas que sou jornalista.

Como se não bastasse a tendenciosidade da chamada mídia, o Português que ela tem usado é de nível pré-escolar (os exemplos a seguir são do Globo).

Hoje, a assídua colaboradora leu matéria sobre o caso chocante do bebê baleado na barriga da mãe e lá está que ele "vestia a toquinha azul (...)".

Colegas, mais respeito! "Toca" é uma coisa e "touca" é outra, OK? A que se põe na cabeça é a segunda.

O atento amigo me conta que dois colunistas famosos de domingo aderiram ao pleonasmo "encarar de frente" — e sugere que se invente a sui generis "encarada de bunda". Vai que pega?

Foi ele também que encontrou, na página 3, perguntas formuladas assim:
"O 'sênior' acredita que (...)?"

Eu só acreditei porque confio no amigo, assim como na amiga que não aguenta mais ler reportagem sobre a família real britânica em que as palavras "pai" e "mãe" são substituídas por "parente".

Criançada, até o Google traduz "parents" direitinho pra nossa língua e sabe que, em Inglês, "parentes" são "relatives".

Não tem um "tio" ou uma "tia" pra corrigir a redação?

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Até no obituário?!


Esta nota não aponta um erro de Português.

Trata-se, "apenas", de uma constatação do descuido com que são feitos hoje nossos jornais.

Na notícia da morte de Guaracy 7 Cordas, enviada por um amigo, duas vezes mencionam o desconhecido "Martinho da Viola".

Como o músico era portelense e o Martinho é da Vila, certamente o correto seria Paulinho da Viola, não é, colegas do Dia?

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Relaxamento absoluto

Quase me esqueci de duas colaborações enviadas pelo atento amigo dias atrás.

O puxão de orelha vai pros colegas da TV — e não me venham culpar "o cara das letrinhas", porque é obrigação do jornalista revisar o que entrega a quem redige as tarjetas.

"Vítima" é feminino, OK? Portanto, pode ou não ser "CONFUNDIDA", com "A".

E, quando delimitamos um período de tempo, é preciso escolher: ou dizemos que uma coisa ocorreu (ou ocorrerá) "ENTRE uma data E outra" ou "DE tal A tal dia (ou ano etc.)".

Os erros estão cada vez mais primários. Uma lástima!

terça-feira, 25 de julho de 2017

De novo, o 'há' e o 'a'



Há dois dias ("", porque já passou), comentei aqui o uso errôneo do verbo HAVER, encontrado no Comunique-se e no Terra (não sei quem copiou quem, mas é claro que nenhum dos dois tem revisor).

Pois hoje a assídua colaboradora encontrou o oposto no Globo online.

Meteram a preposição "A" onde deviam ter usado "", numa frase que é um espanto:

"Familiares relataram à Polícia Civil que (Fulano) tem um quadro depressivo a pelo menos quatro anos, desde que sua mãe se mudou do Rio de Janeiro, mas que ele nunca apresentou quadro depressivo". (sic)

Regrinha básica: é passado, use ""; é futuro, use "A".

Espero não voltar ao assunto daqui A mais dois dias.

Ah, sim, colegas, prefiram "parentes" no lugar do feioso "familiares" e decidam-se: afinal, o rapaz tem quadro depressivo ou não tem?!?

O futuro já está aqui

Caí na gargalhada ao abrir o e-mail do atento amigo.

O título da mensagem era sugestivo: "Moto pistoleira".


No corpo, a reprodução do texto do G1, que diz:

"Segundo a Polícia Civil, (Fulano), de 41 anos, saía do trabalho, no Barra Garden, em direção ao BRT, quando foi abordado por dois bandidos em uma motocicleta.

Os bandidos fugiram sem levar nada. De acordo com testemunhas, a moto se aproximou e fez os disparos".

Definitivamente, os colegas tiraram o dia para homenagear a ficção científica.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Jornalismo 'sci-fi'

A praga dos "antes, durante e depois" absolutamente desnecessários e ridículos chegou a Goiás.

Foi de lá que um fiel leitor enviou esta "gracinha" do jornal O Popular:

"Homem é preso em Anápolis APÓS torturar e manter a companheira como refém". (sic, com destaque meu.)

Queridos colegas, se o cara tivesse ido pra cadeia ANTES de cometer qualquer crime, seria um caso para o Tom Cruise no filme "Minority report — A nova lei", baseado em livro do ótimo Philip K. Dick.

domingo, 23 de julho de 2017

Tudo se copia. Até a besteira

Deletei sem querer o e-mail do Comunique-se, mas fiquei curiosa com o assunto, que envolvia compras pela internet.

Botei no Google e o que apareceu primeiro foi o Terra, com o horroroso erro (copiado na imagem) abrindo a matéria.

Pessoal, estamos A quatro meses do evento. Se a sexta negra já tivesse ocorrido, seria HÁ quatro meses — e não seria mais notícia, não é?

Mais triste foi, finalmente, achar o texto do portal dos jornalistas e encontrar o mesmíssimo erro:

"Baixo Guandu, ES, 17/07/2017 – Há menos de 4 meses para o maior evento do e-commerce brasileiro, o fim do e-Sedex (...)".

Puxa! Nem um copyzinho rápido, colegas?

sábado, 22 de julho de 2017

Jornalzinho de quinta

Está de matar o baixo nível do Globo.

O que é essa crase antes de "spa", gente?!

O substantivo — que significa "hotel ou estabelecimento que oferece tratamentos de saúde e/ou beleza, emagrecimento, alimentação controlada e natural, ginástica, massagens, sauna, banhos a vapor etc." — é MASCULINO!

Vai-se AO spa, vai-se à sauna e vai pra... Deixa pra lá.

Como se não bastasse, a "lindeza" (enviada pela assídua colaboradora) tem um festival de "após" — ainda não sabem que uma coisa sempre ocorre DEPOIS de outra, tadinhos.

É "Rio sem lei", "Cuidados com saúde" e jornal sem redator, vergonhosamente descuidado com o idioma e o leitor.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O tatibitate do maior jornal do país

Recebi isso agora e estou pasma.

"Enquanto isso", no Jardim de Infância, as coisas acontecem umas "após" as outras, como sói "na vida real".

Gente, que texto é esse?!?

Alguém me belisca pra eu acreditar que é só um pesadelo do qual eu vou acordar já, já?

Como qualquer carioca...

O que vem a ser essa manchete do Globo, enviada pela assídua colaboradora?

Se esses caras não conseguem um só policial, imagina como estão a população do Rio, os turistas, enfim, os cidadãos comuns em geral Eu, hein?!

Empacaram no 'impactar'!

Celacanto provoca maremoto.

Foi o que me veio à cabeça diante do vocabulário estrambótico que a querida amiga encontrou no G1.

Tinha "o serviço de bombeiros da Grécia disse que socorreu três pessoas feridas em um prédio impactado pelo terremoto".

Impactante!

Na sequência, "(...) não foi reportada nenhuma morte ou grande estrago no país". Repórter "reporta", mas não "informa"?!?

Fui atrás de informação no Globo online e achei isso aí: os inéditos "em" Turquia e "em" Grécia e as (infelizmente) corriqueiras "vítimas fatais".

Será que um dia vão aprender que FATAL é O QUE MATA, NÃO o que morre?

PS: antes que alguém pergunte, grifei o 100 só porque o antigo manual de redação do Globo recomendava que o número fosse grafado "cem", nada mais.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Neurônios congelados

Além de entender de Português e culinária, o atento amigo curte tudo sobre aviação — e leu ontem, no Globo online, que o frio excessivo provocou o cancelamento de voos em Bariloche. 

Hoje, finalmente, o editor se tocou da bobagem e botou lá que o cancelamento se deveu à nevasca

"Ainda bem", diz o amigo. "Se frio fosse impedimento para o uso de aviões, ninguém voaria na Antártica, na Sibéria, no Alasca..."

domingo, 16 de julho de 2017

Todo o país ou todo país?

O atento amigo ligou a Globonews e leu na tela que a Venezuela está convocando "todo país" para uma consulta popular.

Sendo assim, o mundo inteiro pode participar, certo?

Os colegas devem tomar mais cuidado com o que escrevem e exibem no ar.

Podemos dizer que TODO PAÍS tem leis, ou seja, CADA PAÍS, qualquer país.

Porém, quando dizemos que a lei é a mesma para TODO O PAÍS, estamos nos referindo a um país específico inteiro — os EUA, por exemplo, têm leis diferenciadas: há estados que mantêm a famigerada pena de morte e outros que a aboliram faz tempo.

Um simples artigo pode fazer toda a diferença.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Grana não é cultura

É triste ver que O Globo aposta naquela meia dúzia de tolos endinheirados que deve achar o máximo a revista Ela. 

Por gostar de cozinhar e saborear pratos novos, o atento amigo decidiu dar uma chance pra matéria com o chef chileno Rodolfo Guzmán.

Claro que, antes de mais nada, leu o "olho", aí reproduzido, e pensou:

"Vitela que dá leite é ph...! Vitelas são bezerros ainda, não emprenharam, não produzem leite."

O texto, porém, fala de vitela cozida em leite de vaca — e já não temos como conferir se os bobões comem vaca por vitela e pagam caro pelo engodo.

Para completar a empulhação, a carne é servida com alfafa, guarnição que, segundo o amigo, "alguém deve ter comido em excesso antes de escrever a reportagem".

O festival de besteira metida à besta do "suplemento madame" me traz sempre à lembrança o Robin da adolescência: santa ignorância, Batman!

Ler 'O Globo' é de matar!



Tem mais colaboração do atento amigo — mais uma vez, como sói, encontrada no "maior jornal do país".

A mania dos "antes", "durante" e "após" hoje produziu a seguinte pérola:

"A Rua Bonfim, onde (Fulano) foi baleado antes de morrer (...)".

O caso é trágico, mas acaba virando piada devido ao descaso do Globo com o idioma e com a coerência.

Meu amigo sugere:

"Posteriormente, já morto, o cara deve ter recebido outros balaços."

Só pode.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

De dar vergonha

Que nenhum colega do Globo abra a boca pra dizer que o povo brasileiro fala errado.

Depois dessas duas coisas que o atento amigo me enviou hoje, os editores do jornal deviam ser obrigados a voltar pra escola e aprender:

1) SALSICHA se escreve com "S" depois do "L". O "CH" só entra na última sílaba.

(Exercício: repita cem vezes: S-A-L-S-I-C-H-A);

2) A frase "um dos maiores especialista" está errada. "ESPECIALISTAS" concorda com "MAIORES".

(Exercício: crie cem exemplos similares usando o plural).

sábado, 8 de julho de 2017

Três de uma vez

Para compensar seis dias sem postagem, vou de colaboração tripla do atento amigo.

As bobagens, claro, foram todas encontradas no Globo, cuja "alta cópula" ainda não entendeu que, mesmo em tempos de trampas temerárias, ainda não temos "fatos fictícios".

"Fato real" é pleonasmo — a não ser que o jornal esteja contando tanta lorota que precise recorrer à tautologia pra se convencer do que diz.


Os colegas também insistem em confundir "ter" e "possuir", que nem sempre significam a mesma coisa.

Dizer que alguém "possui" tantos anos é de doer!

Eu logo imagino uma Loja da Idade — que, obviamente, não aceita devolução do produto comprado pelos clientes.

E pra não dizer que não falei de esportes, o amigo viu o título aí da imagem e perguntou:

"Se o Flu SÓ empata com o Chapecoense, com os demais times ou ele perde ou ele ganha?" Pois é.

domingo, 2 de julho de 2017

Assim faz mal à vista

Vi postagem de uma querida amiga, abri e encontrei a frase aí da imagem, com vírgula inadequada e, pior, crase em "PARA A saúde".

Ninguém mais aprende na escola o truque de buscar expressão similar masculina pra ver se tem o artigo junto à preposição (ou a preposição JUNTO AO artigo)?

Alguém diz que se exercitar é bom para "ao" corpo, por exemplo?

Não faço ideia de quem são os profissionais responsáveis pela página Revista Saber Viver Mais, mas sei que estão precisando de copidesque.

Conhecer o idioma faz bem para o texto.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Quem fez essa conta?

Não é só no Português que O Globo vai mal.

Pelo que recebi há pouco, o jornal anda ruim de Matemática também.

Na matéria intitulada "Oi entra com recurso contra liminar de banco", o segundo parágrafo abre assim:

"Dos 5 mil credores da companhia, 53 mil têm a receber R$ (...)".

O amigo, ironicamente, sugere:

"Deve ser por isso que a Oi está falindo." Faz sentido.

Tenha êxito sem hesitação

A querida amiga se lembrou hoje de uma matéria da Exame, publicada há uns dois meses.

Apesar do tempo, merece comentário.

Afinal, ainda que soem da mesma forma (são homófonos), os verbos "hesitar" e "exitar" significam coisas bem diferentes.

No caso relatado aqui (em destaque na imagem), a pessoa não HESITOU, não teve dúvidas, não titubeou.

Exitar é "ter êxito", o que não cabe no texto.

Aproveitando: se bem-sucedido manteve o hífen, acho que mal-sucedido também tem, não?

terça-feira, 27 de junho de 2017

Depois de uma coisa vem outra


Falei em regência e me lembrei de duas "gracinhas" que o atento amigo mandou ontem, quando o sinal da Net oscilava.

Vejam na imagem a coisa feia que é "debater sobre" alguma coisa (eu sempre imagino os debatedores subindo na mesa ou se engalfinhando e rolando no palco).

Acima, há mais um exemplo de como fazer um título horroroso e usar um maldito "após" que nada acrescenta à informação.

Nos criativos tempos do "cachorro fez mal à moça", esse celular poderia render um título antológico.

PS: não seria "a bala" que ficou retida?

Regência falsa. À la Globo

O Globo se supera a cada dia.

Hoje, uma querida amiga leu a seguinte pérola:
"(...) o piloto, chamado (Fulano de Tal), afirmou que criou um plano de voo falso à Força Aérea Brasileira (FAB)".

Com essa regência esdrúxula, o jornal informa que é praxe a instituição criar planos falsos de voo, tanto que eles já são conhecidos como "planos à moda da casa", ou "à (la) FAB".

Era essa a intenção, colegas?

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Peço a sua atenção, por favor



Ontem, cheguei exausta e decidi guardar pra hoje duas colaborações do atentíssimo amigo.

Uma é a triste adesão da coluna do Ancelmo à inexistente regência "pedir 'para que' (isso ou aquilo)", achada na nota "Eu entendo".

Para de inventar moda horrorosa, pessoal!

A gente pede alguma coisa a alguém ou pede por uma pessoa, por uma categoria, ou seja, em nome dela. E estamos conversados.

No outro caso, em que há uma sucessão de palavras repetidas (a começar pelo "suspeito", como o Globo chama até mesmo terroristas presos em flagrante, julgados e condenados), encontra-se a praga do "após", aqui em sua forma menos usada: "DEPOIS".

É igualmente imbecil, pois, obviamente, os policiais não teriam motivo para matar o cara ANTES da explosão, não é?

Informação jornalística:

"Polícia matou o autor da explosão". Ponto.

Apertem os cintos...


Estou às gargalhadas com esta que o atento amigo mandou há pouco.

Ele pergunta:

"Onde teria ido parar a embaixada?"

Cartas para a redação (do Globo, é claro).

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Benefício zero

Os colegas da publicidade também estão desatentos.

Terão sido contaminados pelo desleixo do jornal carioca em que publicaram esta pérola no fim de semana?

Leitura aos tropeços

Ler o Globo é tropeçar em bobagens o tempo inteiro.

Hoje, a assídua colaboradora encontrou legenda (em matéria sobre o Pitanguy Jr.) com a frase:
"(...) advogado diz que acidente não foi intencional".

Acho que se trata de um pleonasmo, não? Acidentes não são acontecimentos fortuitos, inesperados?

Já o atento amigo não aguenta mais ver o advérbio de lugar "ONDE" sendo usado erroneamente, como na reportagem da morte de um casal de forrozeiros:

"(...) foi vocalista da Banda Cavaleiros do Forró, onde permaneceu de (...)".

Ou seja, transformaram grupo musical em local.

Mais atenção, colegas!

domingo, 18 de junho de 2017

Aprenda antes de usar

O Globo parece ter vocação para transformar tragédia em galhofa, tal o descaso que dedica aos seus títulos.

Vejam este:

"Incêndio florestal em Portugal deixa ao menos 61 mortos".

O que é isso, pessoal?! "Ao menos 61"?!?

A incompetência pra lidar com números é absurda.

Outro dia, em Gente Boba, o atento amigo também encontrou "mais de 25 longas entraram no circuito (...)".

Sua pergunta:

"'Mais de 25' significa o quê? 26?"

Não sabe onde cabem expressões como "ao menos", "cerca de", "mais de", "em torno de" etc.? 

Por favor, não use. Ou leia antes o "manual de instruções".

Os leitores agradecem.

Vale a pena estudar e pensar


Vi um belo filme na HBO, "Sono de inverno", e fui obrigada a pôr a legenda, pois não entendo uma palavra de turco.

Por algum motivo, os tradutores acham que "vale a pena" tem crase.

Não tem.

Busque um similar para a expressão, que aparece errada mais de uma vez.

Alguém diz "vale 'ao' sacrifício" ou "vale 'ao' esforço"? Não!

Então, por que valeria "à" pena?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Para aproveitar o ensejo

Falando em crases deslocadas, o atento amigo leu Gente Boba na quarta-feira, encontrou esta e pergunta:

"Serão pratos de madeira?"

Textos censurados


Acabo de receber e-mail com ofertas da Net.

Em primeiro lugar, eu gostaria mesmo é de poder contar com um sinal estável de internet e TV.

Em segundo, só assisto A UMA seleção de filmes sem crase.

O controle gramatical aqui de casa é rígido com a censura ao mau Português.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Quando o furo é uma furada

Acabo de receber chamada do Globo a respeito de um incêndio em Londres.

A notícia é trágica e merece ser tratada com respeito, não com este subtítulo:

"Várias pessoas foram atendidas por ferimentos diversos".

Várias, diversos... Não basta dar manchete, pessoas, é preciso informar.

E as vítimas ficariam melhor se fossem atendidas por bombeiros, paramédicos etc. Não por ferimentos.

Será que estou muito exigente?

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O peixe é pro fundo das redes

Pensei que hoje ia dar trégua ao Globo, mas o atento amigo encontrou uma coisa estranha no Ancelmo.

Os colegas da coluna continuam com pavor de "pra" e "pro" — mesmo quando citam "Segredo", de Herivelto Martins, que os tem aos montes —, mas me saem com uma nota intitulada "Na bulé do caminhão".

Coerência é coisa que anda em falta por aqui, viu?

O texto não é uma 'brastemp'

Quase caí dura ao ler a primeira frase de uma sinopse na rede Telecine:

"Uma floresta possui vários casos de morte (..)".

Caramba!

Será que ela possui de papel passado e tudo, gente?!

O filme é nacional, mas quem escreveu, obviamente, desconhece o Português.

É o caso, também, da Brastemp, subsidiária brasileira da Whirlpool.

O atento amigo acha absurdo a empresa não pagar um bom redator para corrigir seu site, onde o cliente encontra a pergunta:

"Qual é o tipo de produto que você precisa de assistência?"

Não gosta de usar "para o qual"? Que tal inverter e fazer uma coisa decente como "Você precisa de assistência para que tipo de produto"?

Se não sabe (ou não quer) falar o idioma local, não põe o país no nome, bolas! (pra quem não sabe, Brastemp é redução de Brasil Temperatura.)

sábado, 10 de junho de 2017

Caneca meio cheia ou meio vazia?

Quase uma semana depois, o atento amigo leu o Segundo Caderno do último domingo e encontrou, em destaque:

"(...) quero lembrar uma efeméride que passou batida (...)".

Gente, eu passei BATIDO pelo erro!

Adjetivos que entram na frase como advérbio não aceitam concordância, pessoal. Não há feminino, não há plural.

Eles podem, por exemplo, chegar suave e lentamente e sair rápido (rapidamente), mas não flexionam.

Agora, com licença. Como eu ainda estou MEIO sonolenta, vou ali tomar MEIA xícara de café e volto já.