domingo, 16 de setembro de 2018

Que 'languidez' é essa?

Uma querida amiga encontrou na página 40 do Globo o "texto poético":

"(...) assim forma-se um bosque no lugar das construções lânguidas dos cemitérios". (sic. Copiei do online)

Ela pergunta:

"Mudou a languidez ou mudei eu?"

Informo aos repórteres e editores que LÂNGUIDO continua tendo os mesmos significados:
1 que se encontra em estado de abatimento, de grande fraqueza física e psicológica; sem forças, sem energia
Ex.: <recordo-o lânguido e prostrado em seu leito de hospital>
2 característico do que é doente; mórbido, doentio
Ex.: lânguidas imagens povoavam-lhe o cérebro febril
3 que evoca ou engendra ternura, doçura, suavidade
Ex.: uma lânguida brisa a soprar-lhe no rosto
4 voluptuoso, sensual
Ex.: seu corpo tinha, para andar, uma cadência lânguida.

Muito estranhas essas "construções globais"...

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Processo DE aprendizagem



Por que O Globo tem inventado tantas regências verbais e nominais? E por que seus editores se sentem seguros o suficiente para exibi-las em letras garrafais, na primeira página?

"O STF vai decidir sobre" já é feio pra burro, ainda que aceitável.

Agora, dizer que alguém "passa de testemunha a autor em processo sobre atropelamento" é muita forçação, não é, galera?

Aprenda a usar a preposição favorita do jornal em uma lição: o processo DE atropelamento está SOBRE a mesa do juiz. "The book is ON the table", sacou? 

Não fui a Niterói e voltei

Devido a celebrações em família e renovação de equipamentos da Net no meu prédio, passei uns dias "fora do ar".

Nesse ínterim, a assídua colaboradora encontrava coisas sensacionais no Globo, que já convida o assinante a participar de pesquisa com erro de regência e texto ruim.

Pessoal do marketing, é RESPONDER A PERGUNTAS, tá?

Se até o Elio Gaspari deixou passar um "a cerca de" com crase (ui!), imaginem o que ela achou no Ancelmo, figurinha fácil por aqui.

Tem "de Angra à Niterói" (cidade mulher, como ironiza a amiga) e "uma coisa colocada" em nota muito, mas muito mal escrita, cheia de repetições e ausência quase absoluta de pontuação decente.

Vamos a Niterói de carro, de barca, pela Baía, pela ponte... Mas SEMPRE SEM CRASE, OK, criançada? Não nos referimos à cidade como "a Niterói". Então...

sábado, 8 de setembro de 2018

E no cardápio do restaurante...

Mais uma encontrada pela assídua colaboradora.

O que faz essa vírgula aí, separando o verbo "LEVAR" do seu complemento: "O MELHOR DO SABOR"?

Ou não é o melhor sabor que se quer levar aos clientes do restaurante?

Nem a música erudita escapa

Você acredita que quem escreve sobre música erudita é cuidadoso com o texto?

Pois veja o que a assídua colaboradora achou na revista Concerto:

"(...) mas as tocar (...) finalmente convenceu a começar (...)".

Depois do ridículo "as tocar", cadê o sujeito?

Que tal um bom CONSERTO, com "S"? Vou até deixar um tiquinho do rococó:

"(...) mas tocá-las finalmente O convenceu a (etc. etc.)". Melhorou ou não?

O país em que se escreve mal

Nosso idioma precisa de tratamento intensivo urgente.

Porém, uma querida amiga e eu não recomendamos terapia naquele hospital chiquérrimo e estrelado do Rio, onde ela registrou a placa reproduzida na imagem.

Segundo a amiga, a exclamação combina bem com a ausência de uma preposição "EM" no lugar EM QUE ela é indispensável.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Só o idioma me interessa

O atento amigo ouviu no RJ-TV que "os candidatos suspenderam suas 'agendas' (ninguém mais tem "PROGRAMAÇÃO", que coisa!) em solidariedade ao atentado".

Sim, os colegas escreveram e leram no ar essa bobagem — estão todos "solidários AO atentado" — sem pensar, um segundo sequer, que isso significa que todos são cúmplices do ato.

Moral da história: ninguém dá uma revisada no texto.

A assídua colaboradora acha que os colegas não apenas se recusam a ler as próprias matérias: eles não leem nada mesmo.

Basta ver o que ela encontrou no jornal, a respeito do mesmo tema:

"(...) APÓS transferência, (...) recebeu os primeiros socorros APÓS ter levado uma facada DURANTE evento (...)".

Aproveitando o nível infantil, me ocorreu lembrar, DURANTE a escrita e APÓS ver um monte de descalabro na internet: NÃO USEM este espaço para comentários políticos. Aqui se discute Português, antes, durante e depois.

PS: bem mais cedo, li a besteira-mor do Globo, "informando" que a PF vai apurar o que "OUVE" (!!!). Apurem os ouvidos, crianças, porque o "H" do verbo "HAVER" é mudo.