quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Acorda, criançada!



Hoje a coisa começou "bem" mesmo.

O atento amigo mandou duas do "Globo Infantil" — favor não confundir com o finado suplemento Globinho, que era muito bom e feito PARA criança, não POR criança.

Numa, os colegas comprovam: não entendem patavina de regência. Vejam só:

"Teste de afinidade revela qual candidato você mais se identifica em São Paulo, BH e Rio. Clique e descubra".

COM O QUAL e COM QUE ninguém conhece, não é?

E o que dizer do festival da preposição "para" nisso aqui?

"Maradona é transferido para Buenos Aires para realizar cirurgia para drenar hemorragia cerebral".

É muito tatibitate, viu?

Só acredito porque está impresso

Quase caí pra trás ao abrir a mensagem da assídua colaboradora.

A imagem veio com a brincadeira:

"Legenda feita especialmente pra você."

Gente! O que é essa paixão desenfreada pelo "após"?

sábado, 31 de outubro de 2020

Evitem o óbvio ululante


O colega que trabalha com Turismo encontrou a gracinha no Globo online.

Um ciclista tentou atravessar a ponte Rio—Niterói, em que o tráfego de bicicletas é proibido, foi parado pelas autoridades e levado "dentro" de um carro...

As crianças queriam que a equipe da Ecoponte levasse o cara como esse Homem-Aranha aí, talvez?

O assunto é sério


Os editores do site de notícias Mais Goiás precisam ter mais cuidado ao tratar de temas graves como estupro.

Vejam só o que o atento amigo encontrou lá:

"De acordo com a Polícia Militar de Anápolis, a mulher foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML) e depois para a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, onde passou por exames e tomou coquetéis. Ainda não há suspeitos (...)".

Os jornalistas precisam explicar CLARAMENTE pro leitor que os "coquetéis" servidos na Santa Casa NÃO SÃO drinques coloridos como esses aí da foto, ao contrário.

Durante um mês a vítima tem que tomar cerca de dez medicamentos por dia, para evitar doenças sexualmente transmissíveis (DST), como a Aids.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Criança adora falar bobagem


Queridos editores do Jardim Pequeno Jornalista, não basta evitar os erros de Português, que hoje pululam na tal da mídia.

É preciso, também, prestar atenção à sonoridade das palavras, para não publicar besteira como essa aí, que eu pesquei num grupo de ex-colegas de redação.

Uma postou e a outra lembrou: "quod abundat non nocet" ("ter em abundância não faz mal", ou "quanto mais melhor").

Gostaria de poder dizer, de verdade, que o cuidado com o idioma pátrio abunda na imprensa.

Por tudo que é mais precioso

Alô, colegas do G1.

Quem traduziu esse trecho da postagem do Jeff Bridges, diagnosticado com linfoma?

"Essa coisa de câncer está provocando sentimentos de preciosidade, e de gratidão, e do bom amor à moda antiga, e muito disso tudo, de verdade. Estou sentindo tanto do que estão me enviando e, cara, eu agradeço. É contagiante, todo esse amor, como um tipo positivo de vírus."

A assídua colaboradora estranhou os "sentimentos de preciosidade" — e na versão em Inglês que eu encontrei o ator fala em "precociousness" (precocidade).

Querer o quê? O subtítulo já indica que o texto está todo mal escrito.

Leiam e me digam:

"'Essa coisa de câncer está provocando sentimentos de preciosidade, e de gratidão, e do bom amor à moda antiga', escreveu ele, que tem 70 anos, em rede social. Ator promete publicar atualizações em seu site."

"O Cara" tem 70 anos em rede social? Ninguém merece.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Que exame é esse?

Saiu o "boletim médico" da assídua colaboradora.

Brincadeiras à parte, a legenda do Globo é apenas pleonástica, pois, como ressalta a amiga, o profissional da Saúde não carregaria o bebê na cabeça.

(Obs.: a Saúde com maiúscula serve para reforçar a importância do nosso SUS).

A Falha exibe o Português que não se escreve — "EU O EXAMINEI", não é, jornalistas? "Eu examinei ele" soa mal até na linguagem coloquial.

E mostra que em hospital de bacana paciente pode virar malabarista do Cirque du Soleil.

"Ponta-cabeça" significa cabeça no chão e pés para cima, ou seja, de cabeça pra baixo.

Os colegas deviam estar pensando em "da cabeça aos pés", mas "meteram os pés pelas mãos".