quarta-feira, 16 de abril de 2014

'Belgicanos' e 'algerianos'

Alguém aí se lembra dos "belgicanos" do Mendonça Falcão, folclórico político e dirigente esportivo?

Pois o Telecine ficou com inveja da criatividade dele e inventou os ALGERIANOS, na sinopse do filme "O resgate".

Pra começar, aqui o país é chamado de Argélia, não "ALGÉRIA".

E usamos muito mais "argelinos" do que "argelianos" para designar os que nascem lá.

A falta que ela faz

Ah, a falta que um frila faz...

De bobeira, desisto de ver algum filme e decido folhear a Magazine, publicação luxuosa do Casashopping que, de tempos em tempos, circula com o Globo.

A revista é mais dedicada às imagens do que ao texto, mas uma materinha a respeito da câmera GoPro atraiu minha atenção.

Pra quê? A primeira frase diz:

"Que atire a primeira pedra quem não se encantou com uma GoPro, depois de ver perto O QUE a pequena máquina É CAPAZ."

Das duas, uma: ou o redator comeu o fim da sentença — "o que (...) é capaz de fazer" — ou não sabe que, sem o complemento, "capaz" exige a preposição "de" — "ela é capaz disso", "somos capazes daquilo", "do que uma pessoa é capaz" etc. etc.

Homicídio do sentido

Tarde chuvosa e fresquinha, propícia a um filminho besta pra distrair, começo a percorrer a programação dos canais.

E dou de cara com a sinopse de "Esperança mortal", no Telecine Action:

"Joane é uma obstetra que teve a vida atrapalhada após o homicídio de seu amigo de profissão. Ela ajudou uma clínica de fertilidade por dois anos e, nesse tempo, conheceu Michael, que foi executado também."

Caramba! Será que só eu tive o raciocínio atrapalhado após a leitura desse texto, talvez executado por algum amigo de profissão?

sábado, 12 de abril de 2014

Quantos analistas cabem na frase?

Hoje o Globo parece ter sido acometido pela Síndrome do Artigo Indefinido Deslocado.

Olha aí outro "UM" trambolhesco na frase:

"Formado em ciência da computação e UM ex-analista de Wall Street, o executivo é descrito como um gênio."

O segundo "um" está perfeito.

Mas, no primeiro caso, o redator parece achar possível o Jeff Bezos, da Amazon, ser DOIS, TRÊS, ou sei lá quantos mais ex-analistas da Bolsa.

Você 'possui' um resfriado?

Quando será que os colegas vão aprender que nem sempre "ter" e "possuir" são a mesma coisa?

Vejam só a frase que o atento amigo encontrou no canal Arte1, que tem página no Facebook:

"Com narração de Gilberto Gil e trilha sonora de Naná Vasconcellos, o filme POSSUI depoimentos de amigos de Verger (...)".

Por favor, parem de estuprar o idioma e evitem o maldito "possuir" — de conotação, muitas vezes, até sexual.

A ilustração serve como exemplo genérico: alguém aí diria "Possuímos vagas"?

Fez feio, muito feio

Pra não perder o hábito, Gente Boba fez "UM" feio no pouco que tive paciência pra ler na coluna.

Estranhou o artigo indefinido aí em cima?

Pois é.

Segundo Gente Boba, alguém desfilou com os seios à mostra e "fez UM bonito".

Será que o outro era feio?!?

Em obras. Mas 'bastante pronta'

A cara de pau de nossos governantes não tem limites e seu linguajar, com frequência, é de dar engulho.

Mal liguei a televisão, peguei, no RJ-TV, reclamações de moradores da Barra com a confusão que as obras do BRT estão provocando no trânsito da região.

Pois o prefeito garantiu que, apesar dos transtornos, das greves que provocam atrasos etc., etc., "a obra ESTÁ BASTANTE CONCLUÍDA". Hã?!?