domingo, 21 de agosto de 2016

Faça do seis meia dúzia



Agora eu tive que rir!

Vejam só o subtítulo que encontrei no caderno Morar Bem:


"Faça da rotina um hábito".

Que tal? Merece medalha de ouro de prática de pleonasmo?

Desfez-se e... sumiu?!?

As belas fotos atraíram meu olhar para "Um francês da pajelança", na revista dominical do Globo.

Em destaque, na primeira página da matéria, está o trecho:

"(...) É um imaginário de um ser puro que mora na floresta, que eu mesmo demorei dez anos para me desfazer".

Como a frase não termina — ele levou uma década para se desfazer de quê? Ou ele se desfez e virou... sei lá o quê? —, fui buscá-la dentro do texto, pensando que o editor havia pinçado uma parte e deixado o complemento para trás.

Que nada! O erro está lá, igualzinho (e eu ainda impliquei com o tal de "é um imaginário"...)

Sugestões:

"É uma ideia universal (...) DA QUAL demorei dez anos para me desfazer".

"Eu mesmo demorei dez anos para me desfazer DESSA ideia de um ser puro (...) que está no nosso imaginário".

Há várias outras possibilidades.

sábado, 20 de agosto de 2016

Para acabar sem 'briga'

O SporTV acaba de postar:

"Poliana justifica erro de francesa ao cansaço: 'Não consegue pensar', Brasileira diz que Kiko Menezes, da TV Globo, foi quem lhe deu a informação da desclassificação de Aurelie Muller por puxa Rachele Bruni, na disputa pela prata."

Entendo perfeitamente a falta do "R" em "por puxa" ("puxar"), um erro de digitação certamente provocado pela pressa.

Mas "justifica AO"?!?

Acho que o redator queria dizer 'ATRIBUI AO cansaço".

Aproveito para pedir aos colegas dos 16 canais da rede esportiva: decidam de uma vez como chamar a pátria dos bielo-russos.

As Olimpíadas estão acabando e tem locutor e comentarista "brigando" horas com "Belarús" pra cá, "Belárus" pra lá.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Evite modinha. Seja original

Nem sempre as frases estão erradas, mas, quando recheadas de modismos (ou pragas), ficam um horror.

Eu quase aplaudo quando um colega escreve "por causa", porque não aguento mais a maldita "conta".

E a "datação" dos fatos?

Folheie O Globo de hoje, por exemplo, e veja quantos "durante" e "após" isso ou aquilo você encontra.

Só na página 27, em destaque, há "Após perder família (...)" e "Foto após resgate de menino (...)" (que tal "Foto de menino resgatado"? Simples, não?)

Ontem a coisa chegou ao ponto de fazer o atento amigo desligar a televisão, irado.

A repórter da Rede TV começou a relembrar detalhes de um assalto a uma firma de segurança em Santos e me saiu com um "(...) Durante a ocasião, (...)". Foi a gota d'água!

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Desaprenderam o idioma?

O atento amigo acaba de confirmar: estão deturpando completamente o Português e criando um idioma troncho, à base de tradução canhestra do Inglês.

Só isto justifica o que ele ouviu da apresentadora do programa "Entre aspas", na Globo News.

A primeira foi "(...) essa ideia reinforça a afirmação (...)"; a segunda, "(...) muitos comentadores disseram (...)".

Cara colega, "reinforce", na nossa língua, é REFORÇAR e, embora exista a palavra "comentador", aqui costumamos chamar "commentators" de COMENTARISTAS, OK?

Tropeções nas Letras

Não são só os locutores e comentaristas que estão cometendo "crimes hediondos" contra a língua ao longo das Olimpíadas: diariamente, tem colega fazendo acrobacia pra enfiar preposição onde não deve.

Hoje, um amigo pegou no Globo este título:
"Multas por dirigir AO celular crescem 113% no Rio".

Eu recebi esta manchete do Comunique-se:

"Repórteres Sem Fronteiras quer chamar atenção À violência contra jornalistas no Brasil".

E o atento amigo — que também não aguenta mais o corretor do Word pondo crase onde não há — desistiu de ler um release que, logo no primeiro parágrafo, tinha isto:

"No evento ÀS crianças, funcionários e direção estarão presentes".

Fazendo um esforço, a gente releva a primeira e subentende um "FALANDO" ao celular.

Nos outros casos, não tem jeito: você pode chamar a atenção PARA alguma coisa e fazer festa (ou evento, como eles preferem) PARA as crianças (ou pra quem quiser). E é só.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Para 'O Globo', 2011 não acabou

No jornalismo, aprendemos (ou, pelo menos, aprendíamos) a dispensar informações desnecessárias, a enxugar o texto e evitar encheção de linguiça, nariz de cera etc.

Pois, além de desnecessária, chega a ser risível a "informação" deste subtítulo de matéria do Segundo Caderno de hoje:

"Após morte na primeira temporada de 'Game of thrones', Sean Bean volta à TV como detetive em 'Crônica de Frankenstein'."

Vítima da praga do "após calipso", a tal morte ocorreu em 2011, galera!

De lá pra cá, o ator fez uns dez filmes, pôs sua voz em muitos games e animações e protagonizou várias outras séries, como "Legends", que teve duas temporadas.

Só muita falta do que escrever explica a lembrança velhíssima (e desconexa) em destaque.