domingo, 23 de setembro de 2018

A destruição começa na língua

O festival de besteira que assola O Globo é assustador e muito preocupante — se jornalistas não têm um mínimo conhecimento da língua, quem há de?

De ontem pra hoje, a assídua colaboradora me enviou tanto erro de concordância, tanto erro de pontuação e acentuação, tanta regência estropiada, que eu não conseguiria pôr tudo em uma nota ou uma imagem.

Selecionei uma amostra — e até ofereço meus serviços ao jornal em que trabalhei muitos e muitos anos, porque dá uma tristeza danada vê-lo tão largado às traças.

Leiam a frase "aqueles agentes que estão flagrantemente com práticas que (...)" e pensem na questão: que Português é esse?

Vejam a outra, em que a vírgula separa o sujeito ("esse formato") do verbo ("flerta"), e me digam: se o país está fragmentado, precisa piorar a situação destruindo o idioma pátrio?

Carros que não pegam no tranco


Apesar da enorme preguiça pré-dominical (PPD), não posso deixar de comentar a chamada do Estadão, que me deixou indignada.

Afinal, com tanta gente precisando de emprego, como é que esses carros não trabalham, não se esforçam e passam um mês inteiro sem vender nada?

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Desorientação completa no 'Globo'


Hoje, a assídua colaboradora encontrou tanta bobagem no Globo que me desorientou.

Tem título em que um candidato "defende superpoderes A partidos".

"Defender alguma coisa A algum trem", pessoas?!?

DEFENDO O direito de alguém desconhecer regências, como tudo mais, mas DEFENDO, também, O Português — e acho que é obrigação dos editores conhecê-lo bem.

Passando a coisa mais divertida, temos série protagonizada por uma "MEIA elfa" no Segundo Caderno, que tal?

Eu conheço MEIA curta, MEIA de náilon etc. etc. Por favor, me deem uma MEIA hora para eu pesquisar a "nova marca". Como disse lá no início, estou MEIO DESORIENTADA (perceberam que não há feminino aí? Que não se trata de um ajetivo?).

E já que o assunto agora é série, o que vocês me dizem do "CSI" que baixou em outra editoria do jornal? A amiga e eu destacamos um pedacinho, mas a matéria inteira é um espanto.

Não dava pra evitar o tratamento íntimo ("'A' Fulana", como assim?!?) e "traduzir" o depoimento do perito, tirando a comicidade da tragédia? Não dava pra escrever algo simples, como:

"O laudo confirma que Fulana de Tal foi morta por estrangulamento e seu corpo foi atirado da sacada".

O leitor e a família da vítima merecem essa consideração. Deixem de preguiça, colegas.

Iminência de analfabetismo

Não basta incentivar a regência errada do verbo alertar: tem que meter Vossa Eminência no meio.

Vejam o que o atento amigo encontrou na Folha:

"(...) alertando SOBRE os riscos EMINENTES (;...)".

Já achei estranho o que vem antes: esse "pega melhor" não pegou nada bem.

Mas não saber que se ALERTA alguém DE alguma coisa e que riscos não são ilustres, podem ser "apenas" IMINENTES, próximos, imediatos, é muito pior.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Um após depois do outro


Será contaminação o fato de gente que sabia escrever começar a cometer erros no Globo ou é falta de revisão mesmo?

Numa coluna, a assídua colaboradora encontrou a frase sem concordância:

"Publica-se informações falsas (...)".

PUBLICAM-SE informações e tolices, concordam, colegas?

Num artigo, há "imóveis frequentemente legalmente enrolados".

Ficou enrolado mesmo.

Que tal "com frequência legalmente", ou até "frequentemente enrolados legalmente"?

Mais fácil de entender, não é?

O que não dá pra entender de jeito algum é a insistência no "APÓS".

Ela achou o título "Idoso morre APÓS ser baleado" e o atento amigo viu a apresentadora de um telejornal da Band apontar a imagem de um carro tombado e frisar que aquilo era o veículo APÓS o acidente.

Continuamos esperando imagens de carros incólumes, ANTES de capotagens etc., e notícias de pessoas que morrem ANTES de levar tiros, ou sofrer infartos, ou... Perceberam que isso NÃO É informação?

Vejam na foto a evolução humana, um homem DEPOIS do outro, mais outro ANTES dele.... Tudo na vida é assim, uma sucessão de coisas. Infelizmente, há involução também nesse processo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Situação abracadabrante

Não demorou muito para eu receber outras "maravilhas", encontradas no Globo pela assídua colaboradora.

Está no online, mas eu não duvido que o texto continue horrível amanhã, na versão em papel.

A necessidade inexplicável dos editores de "temporizar" os fatos dá em coisas as mais ridículas, como a moça morrer "após" no título e "durante" na matéria.

Os que se foram "antes" da tragédia, tadinhos, caíram no esquecimento.

E ela, somente ela, é sujeito separado de seu verbo por uma vírgula.

Os outros apenas ganharam pontuação truncada e um acento idem.

Antes de publicar, pontue


Vejam só o que o desleixo faz: a pessoa está morta há um mês, mas visita a mãe, que não via há quatro anos.

Não era isso? Então por que a frase estropiada e mal pontuada, que uma amiga mandou pra mim?

Queriam dizer que o rapaz (que foi morto por um tubarão) tinha visitado a mãe um mês atrás? Então, por que não escreveram isso?

Leiam os textos e títulos antes de publicar, colegas.

Escolham melhor as palavras antes de dizer na TV (Band News) que "PARTE das vítimas caiu no lado interno do prédio" — o atento amigo ouviu isso ontem e achou o uso de "parte" ("qual delas?"), num caso desses, "de uma impropriedade hilariante".

A assídua colaboradora também não aguenta mais ler um monte de títulos esdrúxulos no Globo, quase todos nascidos da nova mania de escrever na ordem inversa.

Sem contar a modinha do "sob risco", que foi "promovida" à primeira página.

Amores meus, a Leopoldina está EM RISCO, o prédio está EM RISCO.

Sob riscos podem estar as paredes da velha estação, devido a pichações.